Eu estava aqui no Cosme Velho, com agenda travada e uma tarde inteira de reuniões que não têm a menor generosidade com o meu horário, quando o celular tocou e era o pessoal da CASACOR São Paulo em chamada de vídeo. Aceitei na hora, claro, porque tem coisa que a gente simplesmente não recusa, e o que eu vi na tela me deixou com aquela vontade inconveniente de jogar tudo para o alto e pegar o primeiro voo para São Paulo. A dedicação que está por trás dessa edição é uma coisa fora de ordem, e eu que acompanho a mostra faz tempo sei reconhecer quando o nível subiu.
A 39ª edição da CASACOR São Paulo abre amanhã, 2 de junho, no Parque da Água Branca, e vai até 9 de agosto, de terça a domingo das 11h às 22h. A mostra ocupa mais de 10 mil metros quadrados com 70 ambientes, entre casas, jardins, estúdios, lofts e tiny houses, e o tema deste ano é “Mente e Coração”, que na prática se traduz num percurso que mistura arquitetura, paisagismo, design e uma proposta de desacelerar que, eu confesso, me fez uma falta danada só de ouvir.
É a segunda edição no parque, e a aposta na natureza, no bioma da Mata Atlântica e na preservação do patrimônio tombado é levada muito a sério: operação lixo zero, iluminação que protege a fauna noturna, vegetação toda em vasos sem plantio direto no solo. Isso não é detalhe, é posicionamento.
Os ambientes que eu já estou querendo ver com os próprios olhos incluem a Casa Magma Portinari, assinada pela Suite, o ambiente de Gabriel Fernandes para a Simonetto em homenagem à Janete Costa, a Casa Brastemp de Marcelo Salum com aquele visual pop de tons vermelhos e neons, e a casa de vidro de Felipe Rossi que deixa a natureza literalmente entrar.
No Prédio 22, tem ainda o restaurante Mesa Viva, de Marta Martins Arquitetura, o Café Livraria com Chocolat du Jour, e a Arena do Conhecimento do Senac-SP com programação aberta ao público entre 9 e 12 de junho.
Para quem vai pelo metrô, a referência é a estação Barra Funda, da Linha 3-Vermelha, a cerca de dez minutos a pé da portaria 4.
Meu veredito antes mesmo de pisar lá: a CASACOR 2026 não chegou para ser bonita, chegou para ser necessária. E eu vou estar lá assim que essa tarde de reuniões me soltar, porque tem coisa que precisa ser vista de perto, sentida de perto, e essa edição é uma delas.