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Kátia Flávia
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Carlinhos Brown lança “Afrossinfonicidade” com Orquestra Ouro Preto em dois volumes

Gravado ao vivo na Concha Acústica de Salvador em outubro de 2025, o álbum duplo chega às plataformas nos dias 5 e 26 de junho. E quando o tambor encontra o violino nesse nível, minha filha, a música brasileira lembra por que ela é imbatível.

Kátia Flávia

01/06/2026 12h40

Afrossinfonicidade na Concha Acústica (Crédito Lucas Leawry)

Afrossinfonicidade na Concha Acústica (Crédito Lucas Leawry)

Eu saí da academia em Leblon esta manhã ainda com fone no ouvido quando o release pousou no meu celular e eu parei no meio da calçada feito maluca. Carlinhos Brown e a Orquestra Ouro Preto acabaram de anunciar “Afrossinfonicidade”, álbum duplo gravado ao vivo na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, no dia 18 de outubro do ano passado. Volume 1 estreia no dia 5 de junho, Volume 2 no dia 26. Faz o pré-save já.

O projeto reúne o universo percussivo afro-brasileiro de Brown com a linguagem sinfônica da Orquestra Ouro Preto, sob regência do Maestro Rodrigo Toffolo e arranjos assinados por Paulo Malheiros. O Volume 1 percorre clássicos da obra solo de Brown, com destaque para “Frases Ventias”, faixa do lendário “Alfagamabetizado”, que completa 30 anos em 2026 e ganha uma releitura que aproxima o barroco da poesia afro-brasileira. Também estão ali “Dois Grudados”, “Argila”, “Ocaso” e “Muito Obrigado Axé”. O Volume 2 puxa os Tribalistas para a conversa, com Marisa Monte e Arnaldo Antunes em “Vilarejo”, “Velha Infância” e “Já Sei Namorar”, além de uma versão de “Amor I Love You” que promete fazer choro geral.

O encontro entre Brown e a Orquestra Ouro Preto começou em 2024 num concerto aberto na Avenida Paulista, virou turnê por Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Ouro Preto, e foi crescendo em público e em grandeza a cada parada. Gravar ao vivo era a única decisão possível: o disco captura os contracantos que nascem do instante, o coro do público, a vibração coletiva que nenhum estúdio segura. O próprio Brown disse que o tambor já nasce sinfônico porque organiza emoções, e essa frase, convenhamos, vale um PhD.

Nas redes, o anúncio chegou com a capa do álbum, fotos da Concha Acústica lotada e aquela típica reação da internet brasileira quando a cultura vai bem: elogios rasgados, prints circulando e uma fila de gente fazendo pré-save como se acabasse. A Orquestra Ouro Preto, referência nacional em invenção sonora, soma ao projeto o peso de uma trajetória que sempre apostou em cruzar o erudito com o popular sem pedir licença para ninguém.

Carlinhos Brown entrega um disco duplo que celebra Salvador, a ancestralidade percussiva e trinta anos de uma obra que o Brasil ainda não terminou de entender direito. Quando o tambor e o violino finalmente resolvem se falar sem intermediário, o resultado é exatamente esse: bonito demais para caber numa única sexta-feira de lançamento.

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