Voltei da academia no Leblon arrastando os pés, sem pique nem pra mexer no celular, porque desde ontem esta coluna está de coração na mão. A nota da morte eu já dei, vocês acompanharam, mas tem despedida que pede uma segunda volta. E essa pede, porque agora o assunto é o motivo, e o motivo tem nome pesado: câncer.
Foi a doença que levou Robson Barros, o ex-paquito da Xuxa, depois de uma batalha que ele travou com a família grudada nele até o último fôlego. O velório rolou no domingo no Cemitério Parque Morumby, em São Paulo, e o sepultamento foi na mesma tarde, no Cemitério de Congonhas, também na capital paulista. Eu, que era apaixonadinha por aquele moço de farda preta e dourada, recebi a confirmação sem um pingo de chão embaixo dos pés.

Pra molecada que não pegou a era de ouro, o Robson subiu ao palco aos 16 anos na turma dos Paquitos, a versão masculina das assistentes da Rainha dos Baixinhos, criada em 1989. Dividiu holofote com Alexandre Canhoni, Marcello Faustini, Egon Júnior (Gigio), Cláudio Heinrich e Yuri Martins, e ainda emplacou os filmes “Lua de Cristal” e “Sonho de Verão”, ambos lançados em 1990. Em 1991, guardou a farda, foi trabalhar com o pai, produtor de Roberto Carlos, e depois construiu carreira como empresário no ramo de eventos, longe dos holofotes.
A despedida das paquitas é a parte que me derrete toda. Segundo Ana Paula Guimarães, diretora do documentário “Paquitas para Sempre”, a turma acompanhou de perto os últimos momentos do amigo. Elas criaram um grupo de mensagens, e a esposa de Robson reproduzia os áudios para ele ouvir, já que nos últimos tempos ele já não conseguia falar. A ponte de tudo foi Egon Júnior, o eterno Gigio, que repassava notícias e atualizações para os amigos com o coração apertado. Dá para sentir que essa turma conseguiu se despedir enquanto ainda havia tempo.

A ex-paquita Andrea Veiga colocou em palavras o sentimento que ficou no ar: a revolta de ver uma pessoa tão boa, jovem, pai e marido partir por causa de uma doença tão cruel. E eu encerro essa nota sem deboche nenhum, porque tem famoso que a gente cobre por ofício e tem famoso que a gente cola na parede do quarto. Robson Barros foi pôster, foi suspiro de menina boba e foi um pedacinho da juventude de muita gente. Vai em paz, meu paquito. Sua turma está cuidando da sua memória com o carinho que você sempre mereceu.