A Kátia estava no Cosme Velho, Zoom ligado, reunião marcada com o pessoal de Buenos Aires, café passado fresco e pauta organizada na tela. O celular apitou três vezes seguidas. Chegou vídeo pelo grupo da ICL Notícias, com o César Callejón falando, e a Kátia pediu licença para os argentinos porque tinha babado quente para processar antes de continuar qualquer outro assunto.
Callejón, jornalista esportivo com currículo e credibilidade de sobra, declarou sem rodeio que parou de assistir à Cazé TV. O canal de Casimiro Miguel, aquele que chegou a milhões de inscritos surfando na paixão genuína pelo futebol, virou, na visão dele, uma máquina de propaganda de apostas esportivas.

A crítica foi direta. Segundo Callejón, a quantidade de referências a bets durante as transmissões ultrapassou qualquer limite razoável. O jornalista afirmou que o estímulo ao jogo aparece de forma constante e excessiva, tornando a experiência desagradável para quem busca apenas acompanhar conteúdo esportivo.
A palavra escolhida por ele chamou atenção justamente pela contundência.
“Ficou nojento”, resumiu.
O comentário rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu um debate que vem crescendo nos últimos meses: qual deve ser o limite da publicidade de apostas dentro do esporte?
Para Callejón, o problema vai além do merchandising tradicional. O jornalista argumenta que o futebol passou a funcionar como porta de entrada para plataformas de apostas em um momento em que o país enfrenta discussões cada vez mais frequentes sobre vício em jogos, endividamento e impactos sociais ligados às bets.
A declaração também colocou novamente Casimiro Miguel no centro da conversa. Desde a criação da Cazé TV, o influenciador construiu uma das maiores audiências digitais do país, especialmente entre o público jovem e apaixonado por futebol.
Nas redes sociais, as opiniões ficaram divididas. Parte dos internautas concordou com as críticas de Callejón, apontando um excesso de publicidade ligada às apostas. Outros defenderam a Cazé TV, lembrando que o mercado esportivo inteiro passou a depender fortemente de patrocinadores do setor nos últimos anos.

O fato é que o tema deixou de ser apenas uma discussão comercial e passou a ocupar espaço no debate público. Afinal, quando transmissões esportivas, influenciadores e plataformas de apostas se misturam de forma cada vez mais intensa, a discussão inevitavelmente ultrapassa os limites do entretenimento.
A Kátia voltou para a reunião com Buenos Aires, mas o assunto ficou martelando na cabeça. Porque uma coisa é vender publicidade. Outra é transformar a paixão nacional em corredor de acesso para apostas. E foi justamente essa reflexão que César Callejón colocou na mesa quando decidiu dizer, sem rodeios, que simplesmente deixou de assistir.