Bruno Gagliasso detonou o curso de masculinidade criado por Juliano Cazarré e classificou o projeto como “triste, feio e vergonhoso”. Eu já tinha conseguido organizar a confusão do evento desta quinta, confirmar motorista, horário, roupa e até a pessoa que insiste em mudar discurso faltando poucas horas, quando uma amiga me chamou para um brunch tardio “rapidinho”. Rapidinho, no vocabulário social carioca, significa sentar, pedir ovos, café, fofoca e perder a noção do tempo. Foi entre um gole e outro que ela me mostrou a entrevista do Bruno. Quase engasguei no croissant. Porque quando ator começa a discutir “curso de ser homem”, minha filha, pode tirar o guardanapo do colo: vem textão com munição.
A fala foi dada ao videocast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo. Gagliasso criticou “O Farol e a Forja”, curso lançado por Juliano Cazarré com a proposta de discutir masculinidade e ensinar “o que é ser homem”. Para Bruno, o projeto ultrapassa o campo da opinião e entra num território perigoso.

“[Esse projeto] é triste, feio e vergonhoso. E ficou mais grave porque [o Cazarré] começou a mentir agora. A gente não pode dar palco para um cara que está falando que as mulheres matam mais do que os homens. E ainda ganha dinheiro com isso”, afirmou Gagliasso.
O ator também admitiu que tem dificuldade em dialogar com pessoas que considera alinhadas a posições extremistas. Bruno, que se identifica com a esquerda, citou o distanciamento político e cultural em relação a discursos como os que associa ao projeto de Cazarré.
“Admiro culturalmente, intelectualmente alguém que está do outro lado? Não! Estou falando do extremismo, de bebedor de detergente. Não me sinto capaz de convencer… Quer beber detergente? Bebe! Meus heróis não estão ali. O que essas pessoas leem, escrevem, cantam? É inevitável pensar isso”, disse.
Gagliasso foi ainda mais direto ao afirmar que não vê espaço para conversa com alguém que propõe um curso para definir masculinidade. “Eu não consigo, não tenho diálogo. Não vou conversar com uma pessoa que faz curso para dizer o que é ser homem.”
Na avaliação do ator, o papel dos homens hoje deveria passar mais pela escuta das mulheres do que pela tentativa de ocupar protagonismo em debates sobre comportamento e gênero. Bruno também contou que repreende amigos quando escuta falas machistas. Para ele, o momento exige reação ao avanço de discursos conservadores sobre masculinidade.
Juliano Cazarré anunciou “O Farol e a Forja” no mês passado. O encontro voltado para homens está previsto para acontecer entre os dias 24, 25 e 26 de julho, em São Paulo. O curso gerou críticas de artistas e colegas de profissão, mas Cazarré chegou a agradecer pela “publicidade gratuita”, dizendo que a repercussão ajudou nas vendas. Os ingressos custam entre R$ 1,7 mil e quase R$ 6 mil.

Eu no brunch com café pela metade, evento da noite na cabeça e essa briga de masculinidade ocupando a mesa como se fosse convidado sem educação. Bruno chamou de vergonhoso, Cazarré vendeu ingresso, a internet virou arquibancada e o curso de “ser homem” já nasceu com mais DR pública do que casamento em crise.