Eu quase derrubei o café aqui em Palermo Soho quando vi o release: o Artefacto Towers by CK, aquele prédio todo performático na Praia Brava de Itajaí, já bateu 105,86% de valorização desde 2021. É branded residence com cara de cenário de novela das nove, ticket médio de 3,2 milhões e previsão de entrega só para dezembro de 2026, mas o povo já comprou 95% das unidades, ou seja, a crise passou longe da orla catarinense.

No papel, é o primeiro residencial da Artefacto no Brasil e virou exemplo nesse filão de prédio com “assinatura” de marca, que até outro dia era coisa de bandeira internacional. Agora a narrativa é “made in Brazil”: marca de mobiliário de luxo na fachada, interiores do Jayme Bernardo, discurso de curadoria, experiência e pertencimento para justificar o metro quadrado que vale mais que briga de herdeiro em inventário. E a construtora CK surfa bonito, porque ainda aparece como referência no litoral norte catarinense, com histórico de 15 empreendimentos entregues.

O pano de fundo é esse boom global de branded residences que deve passar de mil projetos em 2026 e chegar a 1.747 até 2032, segundo relatório da Savills. O estudo ainda coloca o Brasil entre os países com mais projetos do segmento, crescendo em média 10,9% ao ano, enquanto metade dos famosos que você segue está implorando publi de colchão no Instagram. No país, a jogada agora é colar em marca nacional de design e lifestyle para dar aquela sensação de clube fechado para quem tem limite no cartão e ego para decorar.

Eu li o parágrafo sobre área de lazer e quase achei que estavam descrevendo resort em Punta: 3.109 metros quadrados de lazer, 30 ambientes, tudo mobiliado pela Artefacto, painéis amadeirados, convivência, comodidades conectadas à hotelaria de alto padrão. Daqui do meu café em Buenos Aires, olhando os porteños tomando Malbec às dez da manhã, só pensei que brasileiro rico gosta mesmo é de comprar “pertencimento” com vista para o mar e foto na varanda, nem que seja para passar três feriados por ano.

No fim das contas, a mensagem é simples: enquanto muita celebridade vive de vídeo motivacional, quem está botando a marca no prédio está dobrando o dinheiro. E eu te garanto, meu amor, branded residence virou o novo camarote: se você precisa perguntar quanto custa, já sabe que não é para você.