Eu já estava aqui na casa, panela quase no fogo, a agenda da tarde lotada de reunião marcada uma atrás da outra, quando o telefone tocou e do outro lado a Rosana mal me deixou respirar. Larguei a colher, sentei na poltrona e liguei o gravador mental na hora, porque o assunto era ninguém menos que o Djavan ganhando livro novo. Tem notícia que merece a gente adiar o almoço, e essa aqui era uma delas.
A obra se chama “Djavan: Dizem que o amor atrai”, uma biografia-reportagem assinada por Tiago Ramos e Mattos, com lançamento previsto para agosto pelo selo Trend, da Editora Ciranda Cultural. O timing é caprichado, porque o alagoano está completando cinquenta anos de carreira e o livro chega para costurar essa trajetória com depoimento de familiares e de amigos que cruzaram o caminho dele desde Maceió. O diferencial que me fez sentar reta foi a reunião de duzentas frases ditas pelo Djavan em cinco décadas de vida pública, aquele tipo de material que rende citação para o resto da vida.

E olha que babado bom os autores foram desenterrar. No tempo do científico, na Escola Estadual Moreira e Silva, o Djavan saía para tocar com a banda LSD e faturar com a música enquanto um colega de turma respondia presença e assinava a chamada por ele, golpe de mestre que todo aluno já sonhou aplicar. Tem também a confissão sobre “Farinha”, do disco Milagreiro, aquela que fala da mãe mandando farinha de Alagoas. Pois a família abriu o jogo e contou que a tal referência era a irmã Djanira, que o cantor sempre tratou como uma segunda mãe.

Agora segura essa que é a minha preferida. Segundo o relato de Rosenilda Viana resgatado no livro, até hoje aparece mulher em Maceió jurando de pés juntos que viveu um romance com o Djavan na juventude, o que prova que a lenda do moço continua firme e forte por lá. Eu acredito em todas e não acredito em nenhuma ao mesmo tempo, do jeitinho que a gente gosta. Fato é que o homem construiu uma obra que atravessou gerações, do violão de garoto alagoano ao posto de maior compositor vivo da nossa música, e biografia assim só faz o mito crescer.
Eu vou te falar, já fiquei doida para ler o calhamaço inteiro. Djavan sempre foi aquele artista de pouca entrevista e muita aura, então saber que vão soltar duzentas frases dele e ainda por cima os perrengues de juventude é prato cheio para fofoqueira fina como eu. Anota agosto na agenda, meu amor, que esse livro vai dar muito assunto e eu vou estar aqui na casa, telefone na mão, comentando esse lançamento capítulo por capítulo.