Filho do casal mais midiático da TV brasileira, Benício decidiu mirar a Engenharia de Produção de uma faculdade privada paulistana conhecida tanto pelo rigor acadêmico quanto pelo preço que assusta até quem já anda de jatinho. A mensalidade gira ali na casa dos milhares de reais, somando uma anuidade próxima dos 100 mil — número que, sozinho, já rende manchete. Mas, se a gente passa da porta giratória e entra, descobre que o “produto” vendido é bem mais do que um diploma pendurado na parede da sala.
A graduação se vende como moderna, orientada a dados e desenhada para formar engenheiros que não só entendem de cálculo, mas também de gestão, tecnologia e processos produtivos. É aquele discurso de “profissional 4.0”: o aluno aprende a projetar e otimizar cadeias de suprimentos, desenhar sistemas eficientes, analisar indicadores e tomar decisão baseada em números — de linhas de montagem a operações de varejo, passando por logística, agronegócio e o que mais aparecer pela frente. Não é à toa que o marketing fala em impacto real nas organizações e em gente pronta para liderar operações complexas logo na saída da faculdade.

Só que o fascínio desse combo não para na sala de aula. O endereço, por exemplo, não é um detalhe: o campus fica cravado em bairro de negócios, cercado por escritórios de tecnologia, finanças e consultorias que adoram recrutar ali mesmo, do outro lado da rua. O aluno não só estuda, como circula no mesmo eixo físico de CEOs, analistas e fundadores de startups, transformando o intervalo do café numa espécie de LinkedIn ao vivo. É o tipo de ambiente que vende a promessa de networking constante — aquela máxima de que, se o conteúdo é importante, a turma e os corredores valem tanto quanto.
No cardápio premium entram também as parcerias internacionais, com programas que permitem intercâmbio em universidades lá fora e disciplinas compartilhadas com instituições estrangeiras. Na prática, o pacote oferece uma ponte para que o estudante some ao diploma brasileiro um tempero global: um semestre em outro país, aulas em inglês, contato com professores convidados de fora e aquela sensação de que o currículo sai do forno pronto para rodar em mais de um fuso horário. Para famílias que já naturalizaram a ideia de filhos estudando no exterior, esse tipo de trilha é um chamariz poderoso.
E tem o detalhe menos falado, mas talvez o mais cobiçado: a comunidade. Ao longo dos anos, a faculdade foi cultivando um ecossistema próprio de ex-alunos espalhados por bancos, consultorias, multinacionais e startups. Esse clube informal de egressos funciona como rede de recomendações, mentorias, convites para processos seletivos e, eventualmente, sociedade em negócios. É aí que o valor simbólico do curso dispara: pagar a anuidade não significa só sentar na carteira — significa ganhar acesso a um círculo que multiplica o capital social de quem já nasceu com sobrenome conhecido.

Claro que, para não parecer um condomínio hermético de ricos, a instituição também aposta em programas de bolsas, isenções e parcerias com organizações que lutam por inclusão no ensino superior. Isso permite que alguns alunos de baixa renda circulem nos mesmos corredores que herdeiros de apresentadores de TV, enquanto a escola reforça o discurso de diversidade e meritocracia. O contraste, porém, é inevitável: de um lado, famílias que planejam o investimento de seis dígitos como extensão natural do colégio particular; de outro, estudantes que dependem de longos processos seletivos e financiamento para conseguir pisar no mesmo chão.
No meio desse cenário, a escolha de Benício funciona quase como peça publicitária gratuita: quando o filho de um dos maiores apresentadores do país mira esse curso específico, o “combo premium” ganha rosto, história e audiência. A narrativa deixa de ser sobre uma instituição abstrata e passa a ser sobre o rapaz que não quer seguir carreira artística, assume suas batalhas com matérias difíceis e, ainda assim, mira uma graduação que custa mais do que muitos brasileiros ganham em vários anos de trabalho. É um retrato perfeito da nova vitrine da elite: menos microfone, mais planilha mas sempre, sempre, com o crachá certo pendurado no pescoço.