Neymar viralizou nesta sexta-feira após dizer que fica triste ao saber que existem pessoas que não gostam dele. O desabafo aconteceu durante um trecho de vlog em que o jogador aparecia em uma sessão de fisioterapia, bebendo água de coco e falando sobre as críticas que recebe enquanto se recupera de uma lesão antes da Copa do Mundo.
Eu estava no quarto do hotel em Buenos Aires, com um olho no espelho e outro no convite do BAFA, eventaço, em Recoleta, tentando colar um cílio postiço com a seriedade de quem vai representar o Brasil entre arte contemporânea, moda e gente chique fingindo que entende instalação. Aí entra Neymar na minha vida segurando um coco e lamentando que nem todo mundo gosta dele. Meu amor, eu quase colei o cílio na sobrancelha. Porque tem horas que o universo testa a mão da maquiada.

No vídeo, Neymar começa imaginando a reação dos internautas caso postasse uma foto com a bebida. “Se eu postar essa foto, vão dizer: ‘Neymar pensa que tá de férias’”, disse o jogador. Em seguida, mudou o tom e fez um desabafo mais sério sobre a relação com o público:
“Agora, falando sério? Fico chateado, fico triste de ver que existem pessoas que não gostam de mim de alguma forma. E não posso errar. Não posso, mas já errei pra porr*. Abaixa a cabeça, assume e acabou. Errei, faz parte. Tenho 34 anos e já errei muito, e vou errar pra porr*”.
Pronto. Bastou. A internet recebeu a frase com a delicadeza de um carrinho por trás aos 47 do segundo tempo. Teve gente apoiando, teve fã mandando força, mas o deboche veio com chuteira, meião e concentração tática.
Um internauta resumiu a indignação financeira do país: “A diferença é que ele fica triste numa mansão de 30 quartos… a gente fica triste devendo aluguel”. Outro completou na mesma linha: “Eu também queria ficar triste dentro de um helicóptero fazendo ponte aérea SP x RJ”. A realidade brasileira, quando pega um milionário sensível, não perdoa.
Também teve quem tentasse resolver o drama na base do Pix emocional. “Se ele me der 200 mil eu começo a gostar, prometo”, escreveu um. Outro foi mais modesto e direto: “Eu tbm fico triste Ney, me doa 1 milhão”. Solidariedade, no Brasil, muitas vezes vem com chave aleatória.
“Só se fala nisso aqui no Atacadão”, disse outro. E eu confesso que essa me derrubou, porque consigo imaginar perfeitamente o corredor de frios parado, todo mundo abalado com a tristeza afetiva do camisa 10.
Teve ainda a ala do sermão esportivo. “Ah pronto, melhora desse joelho cara e traz o Hexa pra nós!”, escreveu um torcedor. Outro foi mais curto: “Rapaz, tu vira homi”. Já um terceiro mandou a frase que atravessa gerações de deboche brasileiro: “Se for chorar manda áudio”.
Neymar está fora do amistoso contra o Egito neste sábado, segundo a CBF, porque segue em recuperação de uma lesão muscular na panturrilha. Ele permanece sob supervisão médica, com sessões de fisioterapia e trabalhos específicos para tentar voltar a tempo da Copa do Mundo.

E aí está o ponto. O Brasil até entende tristeza. O Brasil entende rejeição, crítica, pressão, lesão, cobrança e essa coisa horrorosa que é ser xingado por gente que nunca vai precisar olhar nos seus olhos. Mas o Brasil também olha para Neymar com mansão, helicóptero, contrato milionário, água de coco decorada e histórico de polêmicas, e pensa: meu filho, ajuda a gente a te ajudar.
Terminei de colar o cílio, respirei fundo e decidi que Recoleta merecia um batom mais frio, porque depois dessa eu precisava parecer uma mulher equilibrada. Neymar pode ficar triste, claro. Todo mundo pode. Mas quando um homem de 34 anos, rico, famoso e prestes a disputar mais uma Copa do Mundo sofre porque nem todo mundo gosta dele, a internet faz o que sabe fazer melhor: pega a bola, dribla a compaixão e chuta no meme.