Fiscalizar, cobrar e apontar problemas nos serviços públicos fazem parte das principais atribuições de um vereador. Em Varginha, no Sul de Minas Gerais, essa atuação colocou o vereador Cássio Chiodi (Solidariedade) no centro de uma disputa política que agora ameaça seu mandato. Após uma série de visitas a escolas municipais para verificar denúncias e cobrar melhorias estruturais, o parlamentar passou a responder a um processo de cassação aprovado pela Câmara Municipal, situação que ele classifica como uma tentativa de silenciar sua atuação de oposição e fiscalização.
O pedido teve origem em um manifesto assinado por diretoras da rede municipal de ensino e encaminhado pelo prefeito Leonardo Ciacci (PSD) ao Legislativo. O documento alega que as visitas realizadas pelo vereador teriam provocado constrangimentos dentro das unidades escolares. Chiodi, porém, rejeita as acusações e afirma que todas as fiscalizações ocorreram dentro da legalidade, com acompanhamento das equipes gestoras e sem qualquer interferência na rotina dos alunos ou dos profissionais da educação.

Segundo o vereador, as visitas às escolas sempre foram motivadas por denúncias e solicitações recebidas por seu gabinete, muitas delas relacionadas a problemas estruturais, demandas de servidores e reclamações de pais de alunos. Ele afirma que o objetivo nunca foi expor profissionais ou criar conflitos, mas cobrar soluções para situações que afetam diretamente a qualidade do ensino público.
“Todas as nossas fiscalizações são acompanhadas pelas direções das escolas. Nós não interrompemos aulas, não atrapalhamos a alimentação das crianças, não filmamos alunos e nem servidores. Nosso foco sempre foi mostrar problemas estruturais e cobrar que eles fossem resolvidos”, afirma.
De acordo com Chiodi, a atuação fiscalizadora ganhou ainda mais intensidade após questionamentos feitos à Secretaria Municipal de Educação. Entre os temas abordados estavam investimentos na rede de ensino, aquisição de materiais escolares e indicadores educacionais do município. Para ele, a abertura do processo de cassação não pode ser analisada de forma isolada.
“Coincidentemente, esse movimento aconteceu depois que começamos a cobrar explicações e esclarecimentos da Secretaria de Educação. É muito difícil não enxergar um componente político em tudo isso”, argumenta.
A defesa do vereador recebeu respaldo público do Sindicato dos Profissionais do Magistério de Varginha (Sinpromag). Em nota oficial, a entidade repudiou o documento elaborado por parte das diretoras da rede municipal e manifestou apoio ao mandato parlamentar. O sindicato destacou que a atuação de Chiodi tem sido utilizada para denunciar problemas enfrentados pela educação municipal e defender melhorias para profissionais e estudantes.
No documento, o Sinpromag também questiona a forma como o manifesto foi construído e afirma que as situações apontadas não passaram pela discussão dos colegiados escolares, órgãos responsáveis por decisões e deliberações dentro das unidades de ensino. A entidade foi além ao afirmar que os profissionais da educação conhecem a realidade das denúncias apresentadas pelo vereador.
“Os profissionais da educação da rede municipal são testemunhas da verdade dos fatos denunciados pelo mandato do senhor Cássio Chiodi”, afirma um trecho da nota divulgada pelo sindicato.
O posicionamento do sindicato ampliou o debate sobre os limites da atuação parlamentar e sobre o papel fiscalizador do Legislativo. Para apoiadores do vereador, o processo abre um precedente preocupante ao transformar uma atividade prevista constitucionalmente em motivo para uma tentativa de cassação.
Antes de ingressar na vida política, Cássio Chiodi construiu sua trajetória profissional no Corpo de Bombeiros Militar, onde atuou por mais de uma década. Durante esse período participou de inúmeras ocorrências de salvamento e recebeu reconhecimento público por ações de destaque. Uma delas ocorreu após o resgate de uma pessoa que havia se lançado de uma ponte em uma tentativa de suicídio, episódio que marcou sua trajetória e ajudou a moldar sua visão sobre a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e ao cuidado com a população.
Segundo ele, foi justamente a convivência diária com situações de vulnerabilidade social que despertou o desejo de atuar na política.
“Percebi que não basta apenas resolver problemas quando eles acontecem. É preciso trabalhar para evitar que eles aconteçam. Foi isso que me motivou a buscar um mandato e defender políticas públicas que façam diferença na vida das pessoas”, afirma.
Enquanto a Comissão Processante inicia seus trabalhos, Chiodi garante que continuará exercendo suas funções parlamentares e apresentando sua defesa dentro dos prazos legais. Para ele, a discussão ultrapassa sua situação individual e envolve o próprio papel dos vereadores na fiscalização dos atos do Executivo.

“Quando um vereador passa a ser questionado por fiscalizar, o debate deixa de ser apenas sobre uma pessoa. Passa a ser sobre o direito da população de cobrar transparência, melhorias nos serviços públicos e respeito ao papel que cada poder exerce dentro da democracia”, conclui.
Em meio à tramitação da Comissão Processante, o caso segue mobilizando diferentes setores da sociedade e ampliando o debate sobre os limites da atuação parlamentar. Para Cássio Chiodi, mais do que uma discussão sobre seu mandato, o momento representa uma oportunidade de reafirmar a importância da fiscalização dos recursos públicos e da defesa de melhorias que impactam diretamente a vida da população.