Cheguei ontem à noite de Petrópolis, meus amores, depois de um fim de semana em que comi o mundo na serra, e mal botei o pé aqui em casa no Cosme Velho já estava de mala feita pra correr pro Leblon malhar esse glúteo que ficou com saudade do queijo. Estava amarrando o tênis quando o telefone tocou. Era uma amiga da Globo, daquelas que sabe tudo, querendo saber se eu tinha visto a Ana Maria Braga no Fantástico de domingo. Larguei o tênis no chão e liguei o modo coluna na hora.
E o babado que me interessava de verdade era esse, a gafe que persegue a dona do Mais Você até hoje. Ana relembrou aos risos aquele perrengue do comecinho da Globo, quando convidou um chef pra fazer um prato bem simples e uma lagarta resolveu aparecer se mexendo numa folha de vegetal ao vivo. A câmera, traiçoeira como ela só, deu aquele zoom carinhoso no bicho, e desde então é só abrir a internet e digitar gafes da Ana Maria que a tal lagarta reaparece pra assombrar. Ela mesma confessou que aquilo nunca mais foi esquecido.

Mas a entrevista ao Fantástico de domingo foi muito além da lagarta, e dona Ana sentou pra um papo sem filtro que merece respeito. Aos 77 anos e casada com um rapaz trinta anos mais novo, ela rebateu o etarismo com a classe de quem não está nem aí, disse que lê na internet aquele povo perguntando por que essa velha ainda não aposentou e devolveu o recado avisando que para quando bem entender. Contou ainda que o apelido de Ana Maria Brega deixou mágoa lá atrás, mas que aprendeu na marra que opinião dos outros não muda absolutamente nada.
E aí veio a parte que me deixou de coração quentinho. Ana celebrou a maior vitória da vida dela, que foi vencer o câncer, e foi sincera ao apontar o cigarro como o pior erro que já cometeu, vício que largou faz quase quatro anos porque decidiu viver e ver os netos crescerem. Disse que o diagnóstico foi um soco na boca do estômago, que o médico avisou que ela entrava numa guerra e que as células eram os soldados dela. Trabalhou careca e de cabeça erguida na televisão, nunca teve medo de dizer o nome do inimigo, e creditou a travessia à Nossa Senhora de Fátima e à fé dela.

Como se não bastasse, ela ainda matou a minha saudade lembrando do Louro José, personagem que criou com o Tom Veiga, parceiro de mais de duas décadas que partiu em 2020 e fez a voz do papagaio por 25 anos. Contou que rabiscou o bichinho meio torto, de olho esgrouvinhado, e que morre de saudade do parceiro. Eu também, viu, dona Ana.
Então fica o meu veredito de quem entende do riscado. Tem gente que aos 77 ainda perde tempo perguntando quando os outros vão parar, e tem Ana Maria Braga, que encarou o câncer de cara limpa, transformou até lagarta em piada e segue mandando na manhã da Globo sem dever satisfação a ninguém. Pode continuar digitando maldade na internet, gente, que a moça para no dia em que ela quiser e nem um minuto antes. E eu vou correndo pro Leblon antes que a saudade do Louro José me faça chorar no aparelho de glúteo.