Eu estava aqui em Bari, passeando pela Città Vecchia com um gelato de pistache na mão e os olhos no barroco do Castello Svevo, quando meu telefone não parou mais. Uma amiga que entende de política como eu entendo de solado de New Balance me mandou o link e disse: “Kátia, isso você precisa ver.” Larguei o gelato. Metaforicamente, claro, porque eu nunca largo um gelato.
No IronTalks desta última quinta (16 de abril), Agustin Fernandez, empresário, influenciador digital e nome próximo de Michelle Bolsonaro, foi direto ao ponto que todo mundo no campo da direita evita falar: Flávio carrega exatamente o perfil que a direita já teve e que nunca chegou à Presidência. Polido, engessado, um fio de cabelo fora do lugar, sem nenhuma conexão com a empregada doméstica ou o vendedor ambulante. E foi ainda mais longe: Michelle seria a única capaz de herdar cem por cento do capital político de Jair e ainda trazer gente de fora do campo.




O episódio já somava quase 28 mil visualizações horas após ir ao ar, com 712 likes no canal do Dr. Felipe Sestaro. O trecho que está circulando nos grupos é aquele em que Agustin declara, sem titubear, que não vai fazer vídeo nessa eleição porque “a gente vai sofrer uma puta derrota”. A frase pegou fogo no X e no WhatsApp da militância. Os aliados de Flávio responderam com aquele mutismo ensaiado que em política equivale a um aceno de concordância.
Agustin foi além do perfil e citou dois episódios que, segundo ele, revelam tudo sobre o momento. O primeiro foi a leitura da carta do Bolsonaro internado na porta do hospital, que classificou como uma das situações mais deploráveis que um ser humano pode presenciar, comparando com a corrida para organizar herança que via no paliativo do hospital do câncer onde fez trabalho voluntário. O segundo foi a declaração pública de Flávio de que é candidato, mas que “a vaga está aberta à negociação”, tratada como desrespeito explícito ao eleitor. Seria, nas palavras dele, o mesmo que criar um podcast e anunciar ao vivo que vende se alguém fizer uma boa oferta.
No campo da direita, todo mundo vê o problema e ninguém fala. Agustin falou. E agora a pergunta que fica pairando sobre o Adriático aqui de Bari é só uma: a causa é maior que o ego, ou o ego é maior que a causa? Porque se for a segunda, Lula já pode encomendar o bolo de mais quatro anos, com glacê e tudo.
Confira o vídeo: