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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Adidas Originals mistura Megaride e Copa do Mundo no Rio Fashion Week

Na noite de 17 de abril, a adidas Originals tomou a passarela do Rio Fashion Week com o Megaride dos anos 2000 e as camisas da Copa FIFA 2026, sob direção criativa de Rafaela Pinah, do Coolhunter Favela. Futebol na passarela, periferia na narrativa, e eu aqui em Bari com a raiz impecável tentando entender por que não fui convidada.

Kátia Flávia

18/04/2026 12h00

adidas rio fashion week 2026 foto: marcelo soubhia/ @agfotosite

Na noite do dia 17 de abril, a adidas Originals apresentou um desfile que conectou moda, rua, futebol e a identidade brasileira contemporânea na passarela do Rio Fashion Week (Foto: marcelo soubhia/ @agfotosite)

Saí do cabeleireiro aqui em Bari com a raiz retocada e a dignidade restaurada, e mal cheguei no apartamento meu celular já estava a mil com mensagem da Gustava, que cobre moda há quinze anos e estava no Rio cobrindo o Fashion Week: “Kátia, você precisava ter visto ao vivo.” Precisava, sim. Mas estou no Adriático, então vou cobrir daqui com o mesmo ardor de sempre.

O que rolou: a adidas Originals apresentou, na passarela do Rio Fashion Week do dia 17, um desfile inteiro construído em torno do Megaride, aquele tênis icônico dos anos 2000 com entressola de túnel aberto que tomou conta das periferias e dos campos de várzea brasileiros. A direção criativa foi de Rafaela Pinah, carioca de Realengo e fundadora do Coolhunter Favela, que transformou o desfile numa pesquisa etnográfica com passarela. As artistas Tasha e Tracie, parceiras históricas da marca, se apresentaram ao vivo.

adidas rio fashion week 2026 foto: marcelo soubhia/ @agfotosite
“Todo o desfile foi pensado para unir a história de moda da adidas à cultura das ruas do Brasil, do cabelo aos elementos visuais”, comenta Rafaela Pinah, diretora criativa do desfile da adidas e líder do coletivo Coolhunter Favela. (Foto: marcelo soubhia/ @agfotosite)

No digital, o desfile virou assunto instantâneo. O nome de Rafaela Pinah foi o mais comentado da noite no segmento de moda, e as imagens das camisas da Copa do Mundo FIFA 2026 assinadas pela adidas Originals rodaram todos os perfis de streetwear e futebol ao mesmo tempo. A coleção adidas com o Time Brasil, fruto da parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro, deu ao desfile uma camada institucional que raramente aparece numa passarela de fashion week.

Minha leitura, com distância geográfica e proximidade cultural: o que a Rafaela Pinah fez foi simples e genial. Ela não colocou a periferia na moda, ela devolveu pra periferia o que a moda já havia pegado emprestado sem dar crédito. O Megaride nunca saiu das ruas brasileiras, e agora a adidas tem a inteligência de reconhecer isso com direção criativa de quem conhece o território de dentro. Copa do Mundo na passarela, futebol como linguagem estética, e uma mulher de Realengo assinando tudo.

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