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Kátia Flávia
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A farra dos vistos: influenciadores e mulheres de jogadores podem ser barrados nos EUA durante a Copa

Profissionais levados para produzir conteúdo no Mundial estariam usando visto de turista, enquanto especialistas alertam que permutas, hotel, camarote e até publi podem virar problema com a imigração americana

Kátia Flávia

17/06/2026 17h15

Influenciadores e mulheres de jogadores estariam na mira da imigração americana durante a Copa

Influenciadores e mulheres de jogadores estariam na mira da imigração americana durante a Copa

A Copa do Mundo nos Estados Unidos ganhou um novo bastidor indigesto: influenciadores, esposas de jogadores e equipes inteiras de profissionais brasileiros estariam na mira das autoridades americanas por possível uso irregular de vistos. Segundo o portal LeoDias, maquiadores, fotógrafos, cabeleireiros e assessores levados para trabalhar no Mundial podem ter viajado com documentos inadequados.

Eu já estava atravessando a cidade entre um compromisso e outro, com o motorista reclamando do trânsito e uma amiga famosa me mandando áudio sobre camarote, quando essa pauta apareceu. Parei de responder na hora. Porque uma coisa é fazer look do dia na Copa, meu amor. Outra é montar equipe de produção em solo americano achando que visto de turista serve para publi, permuta, foto, reels, cabelo e maquiagem em dia de jogo.

O principal problema estaria no uso do visto B1/B2, destinado a turismo e reuniões rápidas de negócios. O documento não permite exercer atividade profissional nos Estados Unidos. A confusão, segundo especialistas ouvidos pelo portal, acontece porque muita gente acredita que, se o pagamento é feito no Brasil, não há infração. Mas a regra americana olha onde o trabalho acontece.

A advogada Mayte Medicci, especialista em direito imigratório, foi direta: “A lei norte-americana não olha de onde nasce o dinheiro, e sim onde o trabalho acontece. Gravar em Miami é trabalhar em Miami, mesmo que o contrato e o pagamento estejam inteiramente vinculados ao Brasil”.

Rodrigo Rodrigues, da Jetvistos, reforçou que a imigração costuma observar a diferença entre uma viagem pessoal e uma viagem com finalidade profissional. Publicar foto na Disney ou em jogo da Copa não é o problema. O alerta acende quando há marca patrocinando, contrato de entrega, equipe montada, conteúdo comercial ou qualquer indício de trabalho disfarçado de passeio.

As famosas permutas também entram no radar. Segundo Rodrigo, hotel, camarote VIP, alimentação ou acesso privilegiado em troca de publicações podem ser interpretados como remuneração. Ou seja: não precisa cair dinheiro na conta para a imigração entender que houve pagamento. Benefício em troca de divulgação também pode configurar trabalho.

E aí vem o terror de qualquer viajante: a salinha. Caso o agente do CBP desconfie da versão apresentada no desembarque, o passageiro pode ser levado para inspeção secundária. Lá, segundo Mayte, as autoridades podem solicitar acesso ao celular para verificar arquivos, conversas, contratos e indícios de simulação no pedido de visto. A recusa pode resultar em deportação imediata.

Para profissionais de apoio ligados ao entretenimento, como maquiadores, cabeleireiros, fotógrafos e técnicos, os vistos indicados costumam ser específicos, como P1 ou P3. Já criadores de conteúdo podem precisar de visto I, ligado à imprensa, ou O-1, destinado a pessoas com habilidades extraordinárias. Ter muitos seguidores, por si só, não define automaticamente o visto correto.

O FIFA Pass, criado para facilitar entrevistas consulares durante a Copa, também não resolve tudo. Ele pode acelerar o agendamento para quem tem ingresso oficial, mas não garante aprovação nem autoriza trabalho em solo americano.

O risco não acaba no desembarque. Uma irregularidade pode levar à cassação do visto durante a viagem, na volta ao Brasil ou até anos depois, em uma nova solicitação. Ou seja, a pessoa pode achar que saiu ilesa do Mundial e descobrir, no próximo planejamento de Miami, que a Copa deixou uma bela mancha no passaporte.

A Copa pode até render foto bonita, camarote lotado e legenda patriótica, mas imigração americana não costuma se comover com feed organizado. Se tem equipe, entrega, permuta e marca no meio, a viagem deixa de ser passeio e vira trabalho. E, nesse jogo, quem entra sem o visto certo pode sair com cartão vermelho no aeroporto.

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