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A história do influenciador mais poderoso do Brasil

Um dos jovens empresários mais bem-sucedidos do país e com rara vocação para negócios digitais

Esqueça o youtuber de cabelos multicoloridos que disparava polêmicas gratuitas apenas para viralizar. Um dos jovens empresários mais bem-sucedidos do país e com rara vocação para negócios digitais, Felipe Neto construiu nos últimos anos uma trajetória vertiginosa, bem diferente de quando se lançou no YouTube em 2010. Defendeu bandeiras, comprou brigas, mudou de lado e bateu de frente até com o presidente da República. Impulsionado por 70 milhões de seguidores, tornou-se uma voz política atuante, temida por adversários e seguida por uma multidão. Os críticos podem torcer o nariz, mas Felipe Neto é hoje um dos nomes mais poderosos do país.

O influenciador conta pela primeira vez sua história em detalhes, da infância difícil no subúrbio do Rio de Janeiro ao reconhecimento como uma das cem personalidades mais influentes do mundo, segundo a prestigiada revista norte-americana “Time”. O influenciador é uma biografia não autorizada, sem filtros, que narra seu sucesso, fracassos e embates memoráveis com _ guras importantes, entre elas o deputado Silas Malafaia, o ex-prefeito Marcelo Crivella e o presidente Jair Bolsonaro. O autor é Nelson Lima Neto, da mesma geração de Felipe e destaque da nova safra de jornalistas do país – apesar do sobrenome, não tem qualquer parentesco com o biografado.

A história de Felipe Neto se confunde com a da própria explosão da internet no Brasil. Ele descobriu cedo a forma de produzir conteúdo para jovens desconectados dos meios tradicionais. Conquistou fama, fortuna e recordes em série, mas também colecionou processos e desafetos. O influenciador revela a descoberta do palco ainda no colégio; negócios que naufragaram antes de se tornar ídolo no YouTube; ataques a celebridades; e a paixão pelo Botafogo, que o levou, inclusive, a patrocinar o clube. Conta também como Felipe combateu a censura na Bienal do Livro, numa reação contundente organizada em apenas 24 horas; os bastidores dos ataques (digitais e reais) que sofreu de bolsonaristas; e como foi parar no “_ e New York Times” com um vídeo-editorial contra o presidente, que repercutiu no mundo inteiro.

Acima de tudo, O influenciador mergulha na vida de um dos poucos nomes capazes de inspirar e influenciar toda uma geração, seja no consumo, profissionalmente ou na política. É uma leitura essencial para quem quer conhecer as novas estrelas do poder, protagonistas de uma história cujos capítulos são escritos ininterruptamente 24 horas por dia, sete dias por semana.

Com um caderno com mais de 70 fotos, O influenciador chega às livrarias pela Editora Máquina de Livros, com lançamento simultâneo em e-book em mais de 20 plataformas digitais.

CURIOSIDADES DO LIVRO “O INFLUENCIADOR”

Ainda adolescente, muito antes de estourar em 2010 e se tornar hoje o maior nome da internet no Brasil, Felipe Neto se arriscou em alguns negócios do mundo digital: abriu uma empresa de telemensagens aos 13 anos, deu aulas de design gráfico em programas de computador e montou um dos primeiros sites do país que legendava séries assim que eram lançadas nos Estados Unidos. Ele oferecia também downloads dos episódios. “Era pirataria mesmo”, confessaria anos depois.

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Felipe se tornou uma máquina de fazer e gastar dinheiro: cada minuto de publicidade em seus vídeos custa R$ 140 mil; ele pagou R$ 5,5 milhões pela mansão onde mora na Barra desde 2017, apelidada de NetoLand; e desembolsou R$ 300 mil para comprar e distribuir 14 mil livros de temática LGBT na Bienal de 2019, numa ação organizada em 24 horas em repúdio à censura do então prefeito Marcelo Crivella a uma história em quadrinhos que mostrava um beijo gay.

Foi num curso de teatro no colégio Metropolitano, onde estudava no Méier, que Felipe começou a se interessar por interpretação. Ele participou de algumas peças que ‑ zeram sucesso não só na escola, mas em apresentações amadoras em outros espaços do bairro. Em “Sonhos de uma noite de verão”, de Shakespeare, ganhou o prêmio de ator revelação. Já no musical “Grease”, foi eleito o ator do ano por sua atuação como Danny Zuko, personagem que John Travolta consagrou no cinema. Felipe assistiu ao filme dezenas de vezes e estudou cada trejeito do ator americano.

Felipe alcançou o pico de 600 mil pessoas assistindo simultaneamente a uma live que fez em dezembro de 2020, público comparável ao de emissoras de TV. Segundo a Kantar Ibope, que monitora audiência em vídeo, ele registrou 3.2 pontos, totalizando o equivalente a 240 mil domicílios, à frente, por exemplo, do canal aberto RedeTV!. Entre março e dezembro do ano passado, Felipe produziu uma centena de vídeos (gravados e ao vivo), que somaram mais de 600 milhões de visualizações.

Felipe Neto não é cortejado à toa por grandes nomes da política. Segundo projeções do site Social Blade, que monitora per‑ s e audiência, em julho de 2022, no início da campanha presidencial, ele terá no Twitter o dobro de seguidores de Jair Bolsonaro: 14,5 milhões contra 7 milhões. No Youtube, vai iniciar o ano com 50 milhões de inscritos, contabilizando mais de 17 bilhões de visualizações de seu conteúdo. E atingirá cem milhões entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, quando seus vídeos terão sido vistos 50 bilhões de vezes.

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Em setembro do ano passado, dias antes de ser anunciado como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, Felipe enfrentava um período difícil de depressão. Há mais de dez anos ele trata a doença com medicamentos. Chegou a largar os antidepressivos no início de 2020, mas retomou depois que teve o que chamou de “sintomas obsessivos”.

A paixão de Felipe pelo Botafogo vai muito além de ter patrocinado o clube com a marca dos Irmãos Neto no uniforme. Em 2018, ele ajudou com R$ 175 mil na contratação do atacante uruguaio Aguirre. Seu fanatismo é tanto que já abandonou a própria festa de aniversário, em janeiro de 2019, para acompanhar a estreia do Botafogo no campeonato carioca contra a Cabofriense. O time foi derrotado e Felipe não voltou para soprar as velas do bolo.






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