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Economia

Índice de confiança do empresário no DF é o maior desde 2013

Publicado

em

Rafaella Panceri
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O Índice de Confiança do Empresário do Comércio do Distrito Federal (Icec-DF), calculado em janeiro, é o maior desde 2013. Em 2019, o indicador atingiu 6,7 pontos a mais que em dezembro de 2018. A marca atual é de 125,2 pontos — melhor resultado desde abril de 2013, quando o índice era de 138,6. Segundo a Fecomércio, esse é um sinal de otimismo por parte do empresariado do DF e resulta da valorização do dólar e da retomada das vendas no varejo.

No âmbito local, o Governo do Distrito Federal (GDF) promete colocar em prática medidas para fomentar o desenvolvimento econômico e restaurar o pleno emprego na região, em um cenário com mais de 300 mil cidadãos desempregados. Em discurso na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na última terça-feira (5), o governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que a confiança dos empresários para investir no DF está na casa dos 64%. “Isso revela que, em pouco tempo, nós voltaremos a ter o pleno emprego no DF”, interpretou.

Em outros compromissos públicos, Ibaneis sinalizou que baixaria impostos e facilitaria liberação de alvarás — compromisso firmado com a sanção da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) no último dia 15 de janeiro. Medidas que facilitem a vida do investidor voltaram a circular pelo Palácio do Planalto na última quarta-feira (6), quando o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF), Edson de Castro, se reuniu com o governador para alinhar propostas prometidas ainda em 2018.

‘Apagar fogo’

“O primeiro mês do ano serviu para apagar fogo. Mesmo assim, em 30 dias foi feito muita coisa. Só em janeiro foram dados mais de 90 alvarás, o que representa quase quatro por dia. Nosso empresariado está aguardando redução de impostos e mais alvarás de construção e está acreditando muito nas propostas”, expõe Edson de Castro.

Na reunião, Ibaneis garantiu que o Buriti está trabalhando para que as promessas virem realidade. “E disse que faríamos muitas visitas ao Ministério Público Federal [MPF] para colocar Brasília no caminho certo. Saímos de lá acreditando que a cidade tem jeito, mas também sabemos que não será da noite para o dia”, complementou. “Para destruir é muito rápido. Construir não é fácil.”

A intenção do comércio varejista é abrir mais lojas e gerar mais empregos do que em 2018. O otimismo é motivado pela queda nos juros e pela baixa do dólar. “E como sempre, no final do ano passado, o 13º salário injetou R$ 7 bilhões na economia”, analisa. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio-DF) acrescentou que a inflação está mais estável. “O que acaba facilitando a vida do consumidor na hora de ir às compras, aumentando, assim, o fluxo de caixa do empresário”, destacou o presidente Francisco Maia.

O GDF quer aproveitar o cenário favorável para atrair investidores — inclusive de outras unidades da federação. Em discurso, Ibaneis afirmou aos deputados distritais, na última terça-feira (5), que enviará Projetos de Lei à CLDF. “As medidas deverão ser analisadas por vocês com o olhar voltado ao desemprego alarmante que a gente vive no DF”, advertiu. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, tais matérias estão em fase inicial de elaboração.

Estudos em fase inicial
O mais adiantado é o estudo técnico sobre o Anel Rodoviário do DF, cuja realização deve custar R$ 150 milhões ao Buriti. A obra deve servir para canalizar o tráfego que vai do Sul do País em direção do Nordeste e passa pelo DF. A secretaria quer retomar, ainda, os projetos das Áreas de Desenvolvimento Econômico (ADEs) como o Polo JK e o Porto Seco com o objetivo de atrair indústrias. Uma operação em trânsito no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deve torná-las realidade com a liberação de US$ 71 milhões para as obras.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico afirmou que a “desburocratização tributária já está em curso para ser aplicada o mais rápido possível”, mas não deu mais detalhes sobre o assunto. Em paralelo, Ibaneis tem mantido reuniões com possíveis investidores, como foi o caso do encontro com Alain Baldacci, fundador do Sistema de Parques e Atrações Turísticas, realizado na última quinta-feira (7).

Empresários do parque Wet’n Wild, com sede em Itupeva (SP), sinalizaram que o DF é um mercado interessante e podem retomar a construção de uma unidade no ParkShopping, iniciada na década de 1990, mas congelada da Justiça por problemas na licitação. No entanto, não há nada conclusivo sobre a vinda do empreendimento para a cidade.

O governador esclareceu que tem buscado investidores para expor o que Brasília tem de melhor. “Nós temos o melhor aeroporto da América Latina, uma capacidade de transporte muito boa que vai ser melhorada, uma cidade que pode se tornar mais segura, hotéis de qualidade e áreas do GDF, como fazendas e lotes de 1,5 mil hectares que podem abrigar qualquer um desses parques”, exemplificou.

“Quero esclarecer que a gente começa sonhando. Depois você transforma esse sonho buscando as pessoas que podem torná-lo realidade. O que eu tenho feito é buscar essas pessoas. Se isso vai dar certo ou não, dependerá de negociação. Se você não der o primeiro passo, nunca vai conseguir. Se quiserem recriminar a busca de trazer, é o mesmo que recriminar a busca de sonhar”, declarou.


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