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População do Distrito Federal está envelhecendo

Projeção aponta que, em 2060, idosos vão representar cerca de 33% da população, enquanto os jovens, 17,4%

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Camilla Germano
redacao@grupojbr.com

A população idosa do Distrito Federal pode aumentar consideravelmente em 40 anos. Uma projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que no ano em que serão comemorados os 100 anos de Brasília, o número de pessoas com mais de 60 anos pode representar cerca de 33%. Atualmente, eles são apenas 10,5 % da população brasiliense. Esse levantamento aponta também que o número de adultos (30 – 59 anos) vai cair para 38% e que o número de jovens (0 – 19 anos) será menor que o de idosos, apenas 17,4% da população, em 2060.

De acordo com a análise da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), sobre a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2018, o DF tem 303.017 pessoas com 60 anos ou mais. Desse número, 57,9% é do sexo feminino, mas esse percentual aumenta com o avanço da idade, já que a expectativa de vida das mulheres é de sete anos maior que a masculina. Entre a população acima de 80 anos, por exemplo, apenas 37,2% é de homens, enquanto as mulheres representam 62,8%.

Para a chefe do Núcleo de Estudos Populacionais da Codeplan, Mônica França, a combinação da elevada esperança de vida com a redução na taxa de fecundidade resultou no envelhecimento progressivo do indivíduo e aumento da participação desta faixa etária no total da população. “A crescente participação do idoso na população assim como na força de trabalho vai exigir a formulação de novas políticas públicas em diferentes áreas, como previdência social, saúde, mobilidade, transporte, estrutura pública e até cultura. O Estado vai precisar parar de se ocupar com a demanda por creches ou UTI neonatal, por exemplo, para se preocupar com a oferta de UTI geriátrica”, exemplifica.

A estudante Andressa Ferreira, 19, acredita que a situação é preocupante no futuro. “Eu vejo um cenário negativo principalmente no âmbito econômico, porque teremos muitas pessoas aposentadas e poucas gerando renda”, explica. Para ela o estilo de vida acelerado da atualidade pode ser determinante na diminuição do número de jovens “Hoje em dia é difícil ter filho, pois demanda tempo para criar e como estamos vivendo em uma sociedade muito acelerada, que requer mais qualificação, trabalho e muito estudo é difícil conciliar tudo. Sem contar o custo de vida que com passar do tempo fica mais caro”, pondera.

Mônica França explica também que os demógrafos dão importância a três agrupamentos populacionais, as crianças (0 a 14 anos); jovens e adultos (15 a 59 anos) e os idosos (60 anos ou mais). Ao considerar esses três grupos, a razão de dependência da população do DF hoje, em que 69% das pessoas têm entre 15 e 59 anos, é de 100 pessoas economicamente ativas para cada 45 dependentes (0 a 14 anos ou acima de 60 anos).

Em 2060, essa razão será de 100 para 83. “Isso quer dizer que 100 pessoas vão precisar trabalhar para manter 83 economicamente dependentes – os idosos e as crianças”, explica. “Hoje temos mais gente trabalhando do que sem trabalhar. Em 2060 será quase meio a meio. Isso é grave”, completa.


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