Menu
Brasília

População do DF não crê em Temer e o quer fora do cargo

Arquivo Geral

25/05/2017 6h00

Foto: Reuters/Ueslei Marcelino

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

O brasiliense não engole Michel Temer (PMDB). Nove em cada dez candangos não acreditam na inocência do presidente da Republica. Segundo pesquisa do Instituto Exata de Opinião Pública (Exata OP), para 93,3% da população do Distrito Federal o chefe do Executivo cometeu crime na polêmica conversa gravada pelo dono da JBS, Joesley Batista. O conteúdo do dialogo é uma parte da delação premiada dos executivos para o Ministério Público Federal. Conforme o levantamento, a maior parte da população defende a renúncia de Temer, em função dos contornos do escândalo.

A pesquisa parte de 882 entrevistas colhidas no DF, entre os dias 23 e 24 deste mês. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para cima ou para baixo, apresentando intervalo de confiança de 95%. Conforme o estudo, 74,6% da população julgam que Temer é totalmente culpado das acusações a partir da controversa conversa com Joesley Batista, em março deste ano. O presidente é considerado parcialmente responsável de ter praticado atos ilícitos aos olhos de 18,7% dos candangos. Somente 2,7% dos entrevistados consideram Temer inocente, enquanto 4% não se posicionaram.

Conforme o levantamento, do ponto de vista de 76,6% dos brasilienses, Temer deve renunciar. Estatisticamente, em qualquer roda de conversa aleatória com dez pessoas, seja presencialmente ou pelas redes sociais, sete participantes dizem de diferentes formas: “o presidente não tem mais condições de continuar o mandato”. Por outro lado, 19,8% dos entrevistados afirmam que o presidente não cometeu crime durante o dialogo. Para esta parcela, o chefe do Executivo não deve deixar o cargo.

A defesa do presidente alega que o áudio foi alvo de edição e por isso não pode ser utilizado como prova em um processo. Para avaliar a legitimidade ou não do conteúdo, a gravação passa por perícia na Polícia Federal.

“A marca da suspeita é muito forte. Mesmo que a fita seja desqualificada, para a população do DF houve crime. Temer já não era popular. Este fato foi apenas a gota d’água para ele perder totalmente o respaldo”, pondera o diretor do Exata OP, Marcus Caldas. A densidade das acusações imobiliza politicamente o governo no Congresso e afeta as medidas para a recuperação da economia do Brasil.

O pesquisador considera que país não pode sangrar indefinidamente. “O Congresso não pode parar. É preciso separar a crise do país”, pontua. O Palácio do Planalto não comentou a pesquisa.

Saiba mais

  • O dialogo bombástico entre Joesley e o presidente, no exercício do mandato, é um dos pilares da Procuradoria Geral da Republica no inquérito para investigar supostos crimes do chefe do Executivo, dentro da Operação Lava Jato. Publicamente, Temer nega qualquer desvio ou ato irregular desde o início do caso, no dia 17.
  • Ressaltando que a aprovação popular é indispensável para a governabilidade, David Fleischer julga que se Temer não renunciar ou sofrer afastamento, não sobreviverá ao julgamento da chapa de 2014 no Tribunal Superior Eleitoral. Sobre a violência na manifestação Ocupa Brasília, o especialista crava: violência desqualifica qualquer protesto.

Cármen Lúcia tem o maior percentual

Nos corredores do Poder, grupos políticos negociam e projetam cenários com Temer fora do Planalto. Dois nomes despontam, por enquanto, como possíveis sucessores em uma eleição indireta no Congresso: o senador Tasso Jereissati (PSDB) e o ex-ministro Nelson Jobim. Peculiarmente, nenhum deles figura na visão do brasiliense. De acordo com a pesquisa, 37,3% da população deseja a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármem Lúcia, no comando país.

Outro ponto instigante da pesquisa: 35,3% dos entrevistados não souberam indicar um nome para ocupar o Planalto. Na leitura do diretor do Exata OP, estes dois indicadores deixam claro que o brasiliense quer novos nomes e de ficha limpa na política. Marcos Caldas também observa que o alto grau de indecisos demonstra imaturidade política da população. O especialista sugere que, na média, as discussões sobre o tema ainda são superciais e acaloradas.

O estudo aponta que o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva (PT) é o preferido de 13,8% dos brasilienses. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ) tem 6,7%. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é opção para 5,3% dos entrevistados, enquanto presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB) tem o respaldo de 1,6%F.

David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), projeta que o sucessor de Temer será definido por eleições indiretas. “O que está acontecendo é que ele está negociando uma saída menos dolorosa e quer ganhar também um indulto do sucessor”, analisa. Ele compara a situação com a queda de Richard Nixon, que renunciou articulando o “perdão” do sucessor, Gerald Ford.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado