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Polícia Civil investiga morte de mulher no Hospital de Base

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João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

Após sofrer com a perda da mãe, a dona de casa Rosane Martins Silva Santos, 50, trava uma batalha judicial para esclarecer se houve negligência na morte da mulher de 74 anos, um dia após ser internada no Instituto Hospital de Base (IHB). O caso é investigado na 5ª DP (Área Central). Relatório médico indica a ausência de estrutura para o atendimento.

“A gente espera que isso não aconteça com mais ninguém. Por isso, fizemos a denúncia”, afirma Rosane. A mãe dela, Márcia Aparecida da Silva, passou mal numa sexta-feira à noite, 31 de agosto, e foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho. Porém, com diagnóstico de enfarte, ela precisou seguir para o IHB na manhã seguinte.

Até aí, estava tudo bem. “Meu marido foi visitá-la. Ela disse que estava bem. Mas, no domingo de manhã [dia 2], ligaram para a gente pedindo para ir ao hospital. Na hora que cheguei, falaram que ela faleceu”, relata. Apesar da tristeza, ela pensou que a morte tinha se dado devido à piora da doença. Porém, o relatório da equipe médica indica empecilhos para o atendimento.

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A médica que fez o último atendimento enviou o relatório às chefias de equipe do IHB e da Cardiologia no dia da morte – 2 de setembro. Depois, o documento chegou às mãos dos responsáveis pela comissão que investiga a saúde pública na Câmara Legislativa, encabeçada pelo deputado Wellington Luiz (MDB). O parlamentar o tornou público e o entregou à Presidência da Casa.

Como a Polícia Civil entrou no caso, a especialista precisou prestar depoimento. Nele, a médica afirma que “teve estrutura mínima para o atendimento”, mas não teria como dizer “se as intercorrências ocorridas contribuíram para o óbito”.

Segundo a médica, apesar da medicação, a paciente não apresentava melhora no quadro. Assim, foi descoberto que ela tinha uma necrose nos tecidos do coração, com risco de morte. Para reverter a situação, houve a tentativa de conseguir uma angioplastia no Instituto do Coração (ICDF) ou uma vaga na UTI. Porém, ela ficaria na lista de espera como “prioridade 2”, já que não estava entubada.

Márcia Aparecida da Silva morreu sem conseguir leito de UTI. Foto: Arquivo Pessoal

Sequência de falhas

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Sem a alternativa, a saúde de Márcia piorou. No início da manhã, houve uma parada cardíaca . Porém, não havia uma prancha rígida para que os procedimentos de ressuscitação fossem feitos corretamente – em um colchão comum, o efeito não é o mesmo.

Além disso, uma das auxiliares de enfermagem que foi ao local ajudar nos procedimentos não sabia como fazer uma massagem corretamente e precisou ser trocada por um médico residente.

Em seguida, a paciente precisou ser entubada. Porém, como havia secreção, era preciso de um aspirador. Novamente, mais dificuldade. Dois aspiradores que estavam próximos não funcionaram corretamente. Um terceiro só chegou cerca de 15 minutos depois. Apesar das tentativas, Márcia morreu.

Em nota, a Divisão de Comunicação da PCDF informou que há outras testemunhas importantes para serem colocadas nos autos.
A filha de Márcia, Rosane, revolta-se com o ocorrido. “Ela deve ter sofrido muito porque não era de reclamar. Sofria calada”, relata. Ela e a mãe moravam em Sobradinho. A senhora foi enterrada em Anápolis, terra natal da família. Antes de ser internada, o único problema de saúde apresentado pela idosa era artrite, tratada na Rede Sarah.

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Por nota, o Instituto Hospital de Base informou que está acompanhando o caso e aguarda a conclusão da investigação policial. Não houve comentários sobre as alegações em relação à falta de preparação dos profissionais ou sobre o mau funcionamento dos equipamentos. A instituição declarou apenas que está “apurando as causas da morte da paciente”.




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