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Cidades

MPT propõe retorno às aulas presenciais na rede privada para o dia 10

O GDF terá até a próxima quarta-feira (5) para responder ao MPT posição favorável ou não à proposta. A data é prazo final do adiamento pelo TRT-10

Vítor Mendonça

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Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília
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O Ministério Público do Trabalho (MPT) encaminhou ao Governo do Distrito Federal (GDF) proposta de acordo para a volta às aulas presenciais da rede privada. Após audiência com partes interessadas na Educação da capital, o retorno sugerido se daria em três semanas, sendo:

  • 10 de agosto para Ensino Médio e cursos profissionalizantes;
  • 17 de agosto para o Ensino Fundamental II;
  • 24 de agosto para as turmas de Ensino Fundamental I e Infantil.

O GDF terá até a próxima quarta-feira (5) para responder ao MPT posição favorável ou não à proposta. A data é prazo final do adiamento de 10 dias pelo TRT-10, iniciado há uma semana.

A proposição foi mediada pela juíza Adriana Zveiter, da 6ª Vara do Trabalho de Brasília, com participação do MPT, da Secretaria de Educação (SEE/DF), dos sindicatos dos Professores da Entidades de Ensino Particulares (SINPROEP/DF) e Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (SINEPE/DF).

O Sinepe informou ao JBr que, por enquanto aguardarão decisão final da juíza da 6ª Vara. De acordo com o diretor jurídico do Sinproep, professor Rodrigo de Paula, o retorno às aulas presenciais nas datas propostas é uma “proposta é razoável”. “[Elas] determinam o retorno das aulas de forma gradual, o que possibilita uma melhor avaliação dos níveis de contaminação no Distrito Federal e, dessa forma, podemos ter mais segurança para a retomada”.

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O Sinepe, no entanto, não quis se posicionar a respeito por hora. Na audiência, surgiram algumas divergências quanto à volta do Ensino Infantil, previsto para o dia 24. A intenção era que este tivesse retorno anterior à data estipulada.

O documento do MPT indica ainda a aplicação de 66 protocolos de segurança sanitária para garantir a mitigação da proliferação do novo coronavírus. Ele inclui ações antes não contempladas pelo manual proposto pelo Sinepe e modifica outras.

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Desenvolvimento prejudicado

Para a psicóloga infantil Ciomara Schneider, em termos de desenvolvimento afetivo, de interações sociais e até mesmo desenvolvimento psicomotor, tanto no ensino privado quanto no público, estudantes do DF sofrem perdas.

Conforme percepção extraída dos atendimentos psicológicos que fez neste período de pandemia, a profissional relata que as aulas à distância, por mais que sejam novidade e gerem grande interesse dos estudantes, também revelam outro agravo. “Para as crianças ou mesmo os adolescentes, que costumam lidar melhor com a questão, está havendo prejuízo emocional geral para todas as idades. Mas também [há perdas] para o desenvolvimento psicomotor de crianças menores, que vão do Ensino Infantil até a alfabetização”, finaliza.

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Retorno seguro

No Colégio Objetivo DF, a decisão da magistrada é favorável para a instituição de ensino, segundo a gerente educacional da rede, Cláudia Mialichi. “Essa decisão muito nos agrada porque estabelece um critério de volta gradual e nos ajuda a manter o controle de alunos”, afirmou. Na unidade de Águas Claras, medidas já foram tomadas para a prevenção da doença, seguindo os protocolos anteriormente estabelecidos por decreto, além de outras estratégias para impedir aglomerações.

Uma delas é a rotatividade de escala das turmas. “Na terça-feira virá uma turma, na quarta-feira outro mapeamento de alunos, e assim se segue nos outros dias. E não teremos aulas no turno vespertino – elas serão on-line ainda”, explicou Cláudia. “Escalonamos as turmas independentemente se os pais deixarão os filhos retornarem ou não. Organizamos para que haja condições dele vir. Fica a critério de cada pai essa volta”, detalhou.

Os únicos que permaneceriam indo ao colégio todos os dias seriam aqueles cujos pais se veem em situação complexa dentro de casa. “Temos alguns alunos que os pais são profissionais de saúde e da segurança pública e que preferem que os filhos retornem para a aula o mais rápido possível. Nestes casos, nós escalonamos eles no lugar daqueles que os pais já sinalizaram com certeza que não retornarão.”

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Na unidade, cerca de 60% dos pais ou responsáveis são favoráveis ao retorno presencial, de acordo com a gerente educacional.

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

“Vamos aguardar”

Um dos estudantes que não voltará às aulas presenciais é Pedro Ivo Silva, 14 anos, aluno do colégio Inei, no Lago Sul. A decisão foi tomada pelo pai, Ivo Sodré Silva, 55, e a mãe Khenia Pereira, 49. “Pelo que temos visto, estamos no pico da doença, então como vamos voltar? É uma coisa nova para a escola e os meninos não se contêm, vão se abraçar, ficar juntos, tirar a máscara, etc. Por isso não deixaremos voltar”, pondera.

O impasse, porém, é da mãe, Khenia, que leciona na escola. De acordo com Ivo, ela será a intermediadora para examinar se é o momento certo ou não do filho voltar para a escola. “Dependendo do que ela vir, ele volta ou não. Mas ele não gosta das aulas on-line. Temos uma outra filha [Ana Júlia, 21, estudante de fisioterapia na UnB] que tem diabetes tipo 1. Isso influencia bastante também”, ressaltou.

Última pesquisa feita pelo Sinepe/DF entre os dias 11 e 18 de maio deste ano levantou que apenas 30% dos pais ou responsáveis seriam favoráveis ao retorno dos filhos às atividades presenciais. O sistema híbrido – aulas in loco com opção de transmissão ao vivo – é um fator favorável para o resultado, de acordo com a entidade.

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