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Momentos de terror ao lado de Marinésio

Nova suposta vítima do serial killer prestou depoimento ontem. Planaltina, onde ocorreram os crimes, está entre as cidades com mais desaparecidos

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Nova suposta vítima de serial presta depoimento

Janaína Dias Lopes relatou os momentos de terror que afirma ter vivido

Vanessa Lippelt e Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Conforme publicou na noite de sexta-feira (30) o Jornal de Brasília em sua edição eletrônica, surgiu uma possível nova vítima do serial killer Marinésio dos Santos Olinto, de 41 anos.

Na manhã de ontem, Janaína Dias Lopes, 25 anos, que afirma também ter sido atacada pelo assassino confesso de Letícia Souza Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47, prestou depoimento especial na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina).

Este é o 14° relato de mulheres que pode ter ligação com Marinésio. Até o momento, não há confirmação de envolvimento em outros casos levantados ao longo da última semana, mas todos possuem pontos coincidentes.

Uma das diferenças no relato de Janaína é que o carro utilizado não foi a Chevrolet Blazer que Marinésio usou nos crimes contra Letícia e Genir. O automóvel foi encontrado pelo JBr no estacionamento da delegacia. O relato de Janaína Lopes se assemelha ao da adolescente de 17 anos que prestou depoimento na 6ª DP (Paranoá) na última terça-feira (27), vítima de estupro atrás dos pinheirais entre Paranoá e Itapoã. A ameaça com a faca e o caminho para um local escuro e isolado foi o padrão adotado nas situações. As duas garantem ser Marinésio o autor dos atos.

O caso

Janaína conta que, ao voltar de uma aula, esperava um ônibus na parada perto do Hospital Regional de Planaltina, por volta das 22h. “Eu estava voltando da escola para casa quando vi um carro branco se aproximando de mim. Na hora, eu só pensei em sair dali”, recorda a atendente de caixa que, à época, tinha 21 anos. “Ele saiu do carro, me abordou por trás com uma faca.” De acordo com a jovem, Marinésio teria mandado Janaína seguir conversando com ele, como se fossem amigos.

Foto: Vitor Mendonça

“Ele foi descendo comigo e me levando para o mato a pé. Eu pedi a ele que não me machucasse”, relata.

Ao entrar no matagal, na escuridão, o cozinheiro a teria jogado no chão e começou a beijá-la. Na tentativa de não ser estuprada, ela se debatia e gastava toda a energia contra ele. “Ele colocou os joelhos dele nos meus pulsos e tentava subir minha saia. Disse que era para eu deixar ele fazer o que queria senão me mataria”, conta. “Quando ele percebeu que eu estava perdendo minhas forças, começou a tentar me enforcar. Me veio uma luz, tive a ideia de me fingir de morta.

Ao pensar que a mulher estivesse sem vida, o agressor começou a testar se ela estava realmente morta. “Eu sentia ele me velando”, relembra a vítima, com voz trêmula e lágrimas nos olhos. “Não sei se eu mexi os olhos ou algo parecido, mas ele viu que eu ainda estava viva, e começou a me beijar de novo.” Em um dos momentos da tensão, Janaína conta que os dois ouviram um ruído de motocicleta, policial.

“Ele se assustou e me soltou. Foi aí que dei um chute nele e saí correndo atrás do guarda. Ele correu pro outro lado.”

A salvo, o oficial a levou para casa, onde a família já a aguardava, apreensiva. Janaína diz que, ao saber da prisão de Marinésio, retornou todo o pavor daquela noite.

“Quando eu liguei a TV e vi a foto dele, me senti muito mal. Foi viver novamente aquela noite. Lembrei de cada detalhe”, desabafa a jovem mulher.

De acordo com a PCDF, o caso relatado na manhã de ontem ainda permanece sob investigações. Na próxima quarta-feira (4), Marinésio será apresentado novamente para reconhecimento na 6ª DP.


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