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Luís Miranda ameaçou matar vítima

Reportagem do JBr falou com pessoas que se disseram lesadas

Publicado

em

Pedro Marra
redacao@grupojbr.com

Depois que o programa Fantástico, da TV Globo, veiculou no último domingo (8) reportagem na qual acusa o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) de ter cometido vários golpes contra pessoas que teriam sido enganadas por ele com a promessa de investimentos milionários, o Jornal de Brasília foi procurado por quatro de suas supostas vítimas, que detalharam os golpes sofridos. No início da tarde desta quarta-feira (11), Miranda entregou à assessoria jurídica do DEM um documento com explicações sobre o caso. O partido não descarta medidas disciplinares contra o deputado, que podem mesmo chegar à sua desfiliação.

No caso mais grave relatado ao JBr, Sandro Silveira Antonalia, de 42 anos, denuncia ter sofrido ameaças físicas do deputado contra ele e sua família. Por consequência das ameaças, Sandro chegou a registrar um boletim de ocorrência contra Luís Miranda. Entre as supostas vítimas, é ele quem relata ter tido o maior prejuízo: R$ 150 mil reais. Atualmente desempregado, Sandro tinha um lava-jato que atendia os clientes pessoalmente em condomínios na cidade em que ele mora.

Ele registrou um boletim de ocorrência contra Luis Miranda no dia 18 de junho de 2019. De acordo com o boletim, o deputado fez ameaças explícitas contra ele: “Eu vou te matar e matar seus pais, vou te prejudicar ao máximo possível se você não parar com as denúncias contra mim”.

A promessa do parlamentar era trabalhar com leilões e outros tipos de serviços. “Em agosto de 2017, paguei um curso presencial de R$ 1.200, parcelados em 12 vezes. Fui aos EUA, e fiquei três meses lá esperando o retorno do investimento. Eu seria o sócio-investidor do Luis para montar meu lava-jato num lugar fixo por lá”, diz.

Procurada para comentar a respeito da suposta ameaça de morte, a assessoria do deputado federal Luís Miranda (DEM) comentou que “o posicionamento do parlamentar é de que a empresa que ele constituiu no Estados Unidos conta com nenhum investimento dessa pessoa. A pessoa solicitou favores ao deputado, e têm constituídas mentiras comprovadas.”

Noite na garagem

“Nos colocaram com cerca de 25 pessoas numa casa com beliches em Tamiami, a 30km de distância de Doral, (ambas cidades na Flórida). Tinha apenas dois banheiros para todos. Nos prometeram ar-condicionado, mas dormimos dentro de uma garagem, num calor forte”, conta.

Sandro chegou a vender dois automóveis para investir nos negócios de Miranda: um Honda Fit 2015, vendido por R$ 48 mil; e um Fox 2012 avaliado em R$ 34 mil.

O empresário também vendeu a antiga empresa por R$ 29 mil. De passagens, foram quase R$ 5 mil reais de ida e volta. Ele ainda gastou 560 dólares na hospedagem com comida de supermercado e de rua.

“O Luis não pagou nada do que gastamos lá. Hoje, nem saio mais de casa por medo. É uma tensão que estou vivendo, que nunca imaginei que fosse acontecer. Ele queria me matar nos EUA com uma arma de fogo”, comenta.

Ameaças

Aqui no Brasil, Sandro relatou que foi perseguido por dois possíveis comparsas de Luis: “Brutus” e Jefferson Fernandes, segundo ele. Numa padaria no interior de São Paulo. “Tive que chamar a polícia tática, e pedi para o segurança do estabelecimento que me ajudasse a sair sem ser visto”.

“O Henrique Lemos queria me bater com um taco de beisebol, isso na primeira semana de julho, num hotel onde a gente não podia mais gastar. Um policial que acabou pagando a nossa estadia”, completa.

Uma outra possível vítima, que não quis se identificar, disse que mandou cinco mil dólares para Luis Miranda em um negócio de leilões de automóveis e não obteve retorno. “Numa enrolação enorme, passaram os 45 dias de prazo que me deram. Aí eu não tinha carro consertado e nem sabia o que aconteceu com o meu dinheiro. Comecei a insistir na cobrança, já desconfiando o golpe. Foi aí que eles começaram a mandar relatórios de manutenção do carro pouco tempo depois, em setembro de 2016”, diz.

“Em novembro, o advogado Dr Miguel me pediu mais mil dólares. Aí eu fiquei irritado porque ele não me devolveu o dinheiro. Mas em janeiro de 2018, percebi que havia mais problemas”, relata ele.

Percepção do possível golpe

A suposta vítima de Luís Miranda conta que pegou as notas fiscais enviadas e observou que as datas de emissão eram anteriores ao envio do dinheiro. “Compraram o carro, e já sabiam que o veículo iria dar problema, e queriam passar o problema para mim”, alega.

“Mandei um e-mail para a Gifts for World relatando esses fatos. Aí, me mandaram as notas fiscais. Um certo Henrique Lemos, comparsa do Luis Miranda, me disse que assumiu meu caso. Eu disse que iria processá-los nos EUA. Quando falei isso, ficaram com medo. Dez semanas depois, devolveram o dinheiro: os 5 mil dólares do carro. Eu fui um dos poucos a ter o dinheiro devolvido. Do curso, que paguei R$ 700 da inscrição. Eu tive um final mais ou menos feliz. A equipe dele o blindava”, finaliza.

O advogado, Mauro Cavanha, 34 anos, morador de Los Angeles, não investiu nos negócios de Miranda porque disse ter percebido o golpe. Mas resolveu fazer um vídeo alertando para os casos. Hoje, ele reúne os casos das possíveis vítimas.

“Fiz um vídeo mostrando que os investimentos eram irreais. Depois, eu trouxe duas pessoas contando a experiência delas. Ouvi muita ameaça do Luis pelo WhatsApp, tentando me intimidar, dizendo que a polícia do FBI já tinha processo em tudo que é lugar no Brasil com mandado de prisão. Ele me ameaçou dizendo que eu ia sentir as consequências dos meus atos”, diz.
Lesado no leilão

O empresário do ramo de mármore e granito, Renato Vidigal, 41 anos, morador de Guarapari (ES), foi outra pessoa lesada nos investimentos de Luis Miranda. Ele teve prejuízo de 50 mil dólares em outubro de 2017, quando fez negócio com o deputado no suposto leilão de carros nos Estados Unidos junto à empresa de Miami, LX Holding Corporation. Renato teve de tirar os filhos de escolas particulares, o casamento acabou e os filhos foram morar com os avós.

Procurado, o deputado Luís Miranda disse, por meio de sua assessoria, que o documento entregue ao DEM dá as explicações sobre os negócios e que está pagando os resultados dos investimentos com o devido tempo. E que, na verdade, está sendo vítima de extorsão.


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