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Instituições cobram plano para evitar surto de coronavírus entre os 800 mil indígenas do País

Para áreas mais remotas, as instituições pedem equipamentos para barcos hospitais já existentes e a instalação de novos barcos em áreas desassistidas

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Em um manifesto de alerta ao governo, 115 instituições da Amazônia e demais regiões do Brasil cobram ações emergenciais para evitar que a pandemia da covid-19 se alastre entre os povos indígenas do País. Historicamente vulneráveis a ataques, doenças e reféns de uma estrutura precária de serviços de saúde, os mais de 800 mil indígenas do País compõem um dos elos mais fracos de enfrentamento ao vírus.

No manifesto publicado pelo Fórum Nacional Permanente em Defesa da Amazônia (FNPDA), as instituições pedem medidas imediatas de prevenção e assistência à saúde, com o encaminhamento de profissionais de saúde e medicamentos, máscaras e kits de teste rápido, além de materiais de higiene.

Para áreas mais remotas, as instituições pedem equipamentos para barcos hospitais já existentes e a instalação de novos barcos em áreas desassistidas. A preocupação com alimento também é grande, já que os povos contatados acabam ficando ilhados em suas terras. O manifesto pede o envio de cestas básicas para as famílias carentes, para evitar risco com o deslocamento.

Ontem, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso da covid-19 em aldeias indígenas no País. Uma jovem de 20 anos, da etnia Kocama, foi infectada pelo novo coronavírus no Amazonas, mas permanece assintomática. Ela trabalha como agente indígena de saúde e teve contato com um médico diagnosticado com a doença após retornar de férias. O caso ocorreu em Santo Antônio do Içá (AM), região atendida pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões.

O médico, 12 pacientes indígenas e 15 integrantes da equipe de saúde do Alto Solimões estão em isolamento desde o dia 25 de março, informou a Secretaria Especial de Saúde Indígena.

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As instituições pedem uma ação imediata “em virtude da potencialidade de contágio e transmissão, combinada com sua grande carência de equipamentos e insumos médicos para dar os atendimentos necessários”. Para monitorar a situação e tomar medidas práticas, o manifesto pede a instalação de um comitê virtual, coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, com participação interministerial e das organizações representativas dos povos indígenas, extrativistas e quilombolas.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) decretou a proibição de acesso de não índios a todas as terras indígenas do País. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que é o órgão responsável por coordenar e executar as ações de proteção incluídas no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), ligado no Sistema Único de Saúde (SUS), tem monitorado a situação. Ao todo, são 6.238 aldeias em todo o País. A rede de atendimento possui 1.199 unidades básicas de saúde indígena.

“Os Povos da Amazônia dependem da vontade e competência políticas dos governantes para mitigar danos desta pandemia, que certamente chegará também em nossos povos. Entretanto, podemos trabalhar juntos para termos situações administráveis, com o menor número de infectados ao mesmo tempo, dando-os mais atenção e condições de atendimento médico”, afirmam as instituições, no manifesto. “Nos mantemos unidos e seguimos firmes ante ao caos que estamos enfrentando e ainda enfrentaremos. Nossa união segue sendo nossa maior força!”

A carta aberta é assinada por instituições como Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Greenpeace, Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e Instituto Socioambiental (ISA), entre outros.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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