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Grupo que furtava combustível lucrou o dobro na greve dos caminhoneiros

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Matheus Venzi
matheus.venzi@grupojbr.com

A Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais da Polícia Civil (Corpatri/PCDF) prendeu na manhã desta sexta-feira (8) quatro membros de uma associação criminosa que furtava combustível de uma transportadora. Todos eram funcionários da empresa, localizada no Guará. A investigação da Operação Diesel começou há dois meses, quando o dono da companhia encontrou um lacre do caminhão rompido e denunciou às autoridades. Apenas em uma semana, os criminosos chegavam a furtar 700 litros dos caminhões-tanque.

De acordo com o delegado da Corpatri, André Luis Oliveira, a transportadora era responsável por entregar diferentes combustíveis para todo o DF e também na Região Metropolitana. Os caminhões-tanque usados para as entregas comportam cerca de 15 mil litros. “Os verdadeiros prejudicados eram os clientes da transportadora, que pagavam por uma quantidade e recebiam menos do que o combinado”, explica.

Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Oliveira esclarece como os furtos aconteciam. “Todo caminhão-tanque recebe um lacre com um número de registro durante a entrega. Esse número é o mesmo que está na nota fiscal do comprador. Por isso, muitos dos clientes nem percebiam a menor quantidade de combustível, já que só conferiam o registro do lacre”, comenta.

O líder do grupo se aproveitava da confiança que tinha na transportadora e furtava um pacote com vários lacres, sem registro, no depósito da empresa. Eles eram repassados aos demais membros.

Foto: Divulgação/PCDF

Quando iam fazer uma entrega, os criminosos saíam do depósito com o lacre em branco. Então, paravam o caminhão em um determinado ponto, retiravam o lacre e subtraíam cerca de 100 litros de combustível dos caminhões. Depois disso, colocavam o lacre original, com registro, de volta no caminhão e realizavam a entrega normalmente. De pouco em pouco, a Polícia Civil estima que a associação criminosa chegou a furtar 10 mil litros de combustível.

Tudo era armazenado em galões de 20 litros, que eram repassados para receptadores. “Já conseguimos identificar um deles, que deverá ser indiciado em breve”, avisa o delegado. O galões que sobravam eram armazenados nas residências dos membros do grupo e chegavam a ser vendidos no varejo. As autoridades encontraram alguns dos galões durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

Segundo Oliveira, não há como estimar um lucro dos criminosos, já que o preço de cada combustível era variado. “O que podemos dizer que os combustíveis, normalmente, eram vendidos a um preço abaixo do mercado. Mas na greve dos caminhoneiros eles lucrara o dobro, já que conseguiram revender tudo por um preço elevado”, expõe.

Ao todo, quatro homens foram presos. Fábio de Souza Costa, 37 anos, apontado como o líder do grupo, Alex Caetano de Sousa, 32, Francisco das Chagas Pereira, 38, e Leandro Ramos Batista, 27. Todos serão indiciados pelos crimes de furto qualificado, associação criminosa e crime contra a economia popular, já que armazenar gasolina em casa é proibido. As penas podem chegar a 16 anos.

Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília


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