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Cidades

Governo e sindicato dialogam

SinPro-DF elogiou a postura do novo secretário da Educação, mas não descarta recorrer à justiça

Publicado

em

Olavo David Neto
Vítor Mendonça

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Aconteceu, na manhã de ontem (21), a primeira reunião entre a Secretaria de Educação e o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) desde o início do embate entre Ibaneis Rocha (MDB) e a entidade sobre a militarização das escolas. No último sábado (17), duas instituições da rede pública recusaram, via plebiscito, o programa de gestão compartilhada com a Polícia Militar (PMDF). Mesmo assim, o GDF apontou que irá adotar o modelo nas escolas. Inicialmente confirmado no encontro de ontem, o governador Ibaneis Rocha alegou problemas de agenda e não se reuniu com os sindicalistas.

O Sinpro formou uma comissão de negociação para dialogar com o governo. Após a reunião, marcada a pedido da entidade, o grupo elogiou a postura do secretário do Trabalho – e, agora, também da Educação -, João Pedro Ferraz dos Passos, que representou o Executivo no encontro. “Ele ouviu e disse que precisa tratar disso com o governador”, comentou um dos membros do grupo. Em coletiva, ele negou que a militarização já esteja em curso no CEF 407 Samambaia. “Eu tenho que sentar com o secretário de Segurança pra ver quantos agentes vão pra lá. Tem que acabar essa sensação de que a gestão compartilhada é botar a polícia dentro da escola”, comentou o secretário.

Para João Pedro, o debate é válido, mas a decisão final é do Buriti. “ Se o governador disser ‘eu vou impor esse resultado nas escolas que se submeteram à consulta e votaram contra’, vai ser uma decisão do governador e ele vai impor”, comentou. Apesar disso, Ferraz deu a entender que a vontade das escolas será respeitada. “Tem que ver se temos um diálogo. E se eles disseram ‘não, nós não precisamos disso, a escola tá bem, tá linda, tá ótima’, tudo bem. Toca a vida”, declarou o secretário.

Diretora de Finanças do sindicato, Rosilene Correia rechaçou os recentes ataques do governador à categoria. “Temos um problema a ser tratado, e é preciso tratar isso de forma madura, com a responsabilidade que cada um tem, tanto o sindicato, quanto o Executivo”, declarou a sindicalista. Nos últimos dias, Ibaneis fez críticas à entidade, acusando-a de influenciar no resultado das urnas no CEF 407 Samambaia e no Gisno, na Asa Norte. Para Rosilene, cabe a Ibaneis entender “o papel do sindicato, porque nosso local de atuação é na escola”. ”É papel do SinPro debater qualquer pauta que seja do interesse da educação pública do DF”, completou a educadora.

Entrave judicial

Ante a declaração do governador de que os “insatisfeitos procurem a Justiça”, Rosilene afirmou que a via judicial pode ser a alternativa do Sinpro na defesa das escolas que recusaram a militarização. “Temos compromisso de dar total apoio às escolas que disseram não a essa proposta, e é isso que será feito”, pontuou a diretora. O secretário rebateu dizendo que qualquer tratativa jurídica fecha o recém-aberto canal de diálogo. “A gente começou a conversar agora, se eles quiserem judicializar, nós encerramos as conversas e vamos pra Justiça”, garantiu o novo chefe da Educação candanga.

Obrigações

A consulta realizada junto a pais, alunos e professores nas escolas que foram às urnas no sábado (17) não é vinculante. Ou seja, não obriga o Governo do Distrito Federal a seguir o resultado das votações. Para o Sinpro, porém, a consulta é um caminho sem volta. “Ao chamar a comunidade pra debater e fazer sua opção, é preciso respeitar”, pontuou Rosilene. Ibaneis alega que o sindicato e partidos de esquerda fizeram campanha nos pleitos, o que quebraria o acordo feito com o GDF. O governador ainda desafiou a entidade a abrir as contas para mostrar que não interferiu no resultado. O Sinpro rebateu dizendo que “não deve prestar contas ao governo, e sim à classe que representa”.


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