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Cidades

Fazendinha será revitalizada

Secretaria de Cultura irá investir cerca de R$ 6 milhões na conclusão de obras em local histórico

Vítor Mendonça

Publicado

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Necessitado de reformas desde a época em que foi tombado como patrimônio histórico do Distrito Federal, em 1988, o Conjunto Fazendinha, memória de Brasília na Vila Planalto, deverá passar por um processo de revitalização em 2021. A Secretaria de Cultura estima que serão necessários cerca de R$ 6 milhões para a conclusão das obras e revitalização do espaço. O recurso deve vir do Fundo de Desenvolvimento Urbano do DF (Fundurb).

“Queremos fazer um belo complexo cultural muito interessante, com estrutura para shows, restaurantes, e formas de promoção da cultura. Temos muitos interessados e envolvidos nesse trabalho, inclusive com o apoio do governador Ibaneis Rocha”, afirmou o chefe da pasta, Bartolomeu Rodrigues. “Faz parte de um projeto de revitalização completa da Vila Planalto, para dar mais visibilidade e despertar para o que a Vila também tem de especial: a culinária”, continuou.

Abrigo para trabalhadores

Construído na década de 1950 para abrigar trabalhadores que vieram trabalhar na construção de Brasília entre 1956 e 1960 durante o mandato do ex-presidente Juscelino Kubitschek, o também chamado Acampamento Pacheco Fernandes Dantas é administrado pelo Governo do DF (GDF) desde 2013.

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Em 17 de dezembro do ano passado, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio e Patrimônio Cultural (Prodema), braço do do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), questionou à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Segeth) e à Secretaria da Cultura (Sec) quais medidas emergenciais de prevenção contra incêndio e desmoronamento estavam sendo tomadas pelos órgãos para as casas do Complexo Fazendinha.

De acordo com informações do MPDFT, recente inspeção realizada por peritos no local constataram que, com a ação das chuvas e do tempo, as casas estão sob risco de agravamento da situação e três com ameaça de desabamentos, além da possibilidade de serem destruídas com um incêndio, alegando falta de estrutura contra um acidente nestas proporções.

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Seriam necessárias, segundo o relatório dos peritos, proteções emergenciais, como o escoramento das casas e cobertura das edificações para protegê-las das chuvas e evitar maiores danos ao patrimônio. Em dezembro de 2018, embora tenham sido elaborados planos de preservação para garantir a conservação do Conjunto Fazendinha, segundo o MPDFT, relatório da Subsecretaria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura alega que não teriam sido feitas ações concretas que pudessem evitar o abandono das casas.

O relatório também afirma que quatro das cinco casas apresentam características originais do que seria o acampamento Pacheco Fernandes Dantas. Entretanto, nas mesmas três casas com risco de desabamento, as coberturas estão deterioradas e as paredes sem devidas proteções. Em alguns pontos, apenas escoramentos improvisados sustentam parte das coberturas. Limpeza e pintura também estão na lista de preocupação dos agentes do MPDFT.

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Cultura já se mobilizou

“O local é um retrato acabado do descaso ao longo das décadas”, afirmou o secretário de Cultura do DF. “Nós estamos mexemos ali desde o início do ano passado e continuamos trabalhando”, completou. Desde o dia 15 de dezembro de 2020, entulhos e enxames de abelha no local já estariam sendo removidos.

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Potencial gastronômico

De acordo com o chefe da Cultural do DF, a pasta fez um levantamento das obras emergenciais em um dia de inspeção com outros órgãos de manutenção do DF. “Não é trabalho de um dia. Estive pessoalmente lá em outubro com outros secretários do GDF [para elaborar melhorias]”, afirmou Bartolomeu. “Já foi feito o roçado, já iniciamos a poda e já há um Grupo de Trabalho elaborando a minuta do Termo de Referência para a licitação das obras.”

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A ideia, de acordo com o secretário, é transformar o local na Vila Planalto em “um potencial gastronômico”, com possibilidades de visitação como ocorre em outras cidades históricas turísticas espalhadas pelo Brasil, com referências à história em toda a Região Administrativa.
“Temos consciência dos problemas dali e estamos organizando e tentando colocar tudo em ordem”, disse ainda.

Ciente da história que viveu e vive a Vila Planalto e as casas históricas da Fazendinha, a moradora histórica, coordenadora do grupo Guardiões de Brasília: patrimônio cultural da humanidade, e pesquisadora Leiliane Rebouças, afirmou que, em 2013 a promotoria de Defesa e Ordem Urbanística do MPDFT fez uma ação e recomendou que fosse feito um plano de ação para a Vila Planalto, com revitalização das cinco casas e outros patrimônios da cidade que precisavam de revitalização.

Desde então, os governos anteriores não teriam montado o cronograma e recorreram à justiça até chegar ao STF para não fazer uma agenda de revitalização.

O governo perdeu em 1ª, 2ª e última instância e mandou o processo pro TJDFT, mas não fora acionado para o cumprimento da sentença, de acordo com Leiliane.

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“Há 30 anos estamos nessa luta pela conservação da Vila Planalto. As coisas ainda continuam em pé aqui porque a população vai atrás e tenta conservar. Estamos vendo nossa história e nosso registro da memória de pioneiros indo embora”, continuou Leiliane.




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