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“Ele não entende os motivos da agressividade”, diz advogado de homem negro agredido por policial

Em entrevista ao JBr, defensor de Wellington Luiz avisa que vai buscar a responsabilização do Estado no âmbito cível, administrativo e criminal

Pedro Marra

Publicado

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“Ele não entende os motivos de tal agressividade”. É o que diz o advogado Anderson Campos, que vai defender na Justiça os direitos de Wellington Luiz Maganha, 30 anos, covardemente agredido por um policial militar com socos e golpes de cassetete na noite da última segunda-feira (1), em Planaltina.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o advogado de Wellington, Anderson Campos, contou que vai buscar a responsabilização do Estado no âmbito cível, administrativo e criminal. “Ademais, iremos protocolar uma representação junto à comissão de direitos humanos da OAB-DF para acompanhar o caso”, afirma.

“Me sinto humilhado”

O rapaz foi liberado pelo Hospital Regional de Planaltina (HRP) na tarde de ontem após colocar curativos devido a escoriações nas costas, no braço, na virilha. Ele ainda teve machucados no crânio por conta da pedra arremessada pelo policial. “Me sinto humilhado”, afirma Wellington ao JBr.

“Ele está bastante assustado. Segundo ele, as pessoas que deviam protegê-lo foram as que o agrediram. Ele me relatou que todas as lesões foram causadas pelos policiais. Então quer levar isso adiante como modo de prevenção para que novos casos não aconteçam”, conta o advogado.

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Anderson diz ainda que Wellington está atordoado, porque “não entende os motivos de tal agressividade, pois não cometeu qualquer irregularidade”, complementa.

O advogado Anderson Campos, representante de Wellington. Foto: Divulgação

Relembre o caso

A cena, que ocorreu na noite da última segunda foi gravada no estacionamento de um supermercado de Planaltina, no Setor de Áreas Especiais Norte, por um rapaz que precisou buscar documentos no comércio local. Na gravação, outro militar acompanhava a ação de perto.

No vídeo, a vítima se distancia dos policiais enquanto recebe as agressões nas costas sem poder se defender. “O que eu fiz? Eu não fiz nada de errado. Ai! Ai! Ai!”, agoniza de dor o homem. Assista:

Após os mais de 20 segundos de agressão física, o homem consegue ir para longe dos agentes. A filmagem termina quando o policial que cometeu os golpes pega um objeto do chão e arremessa na direção do rapaz.

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A reportagem conversou com o jovem que gravou o vídeo. Ele relata que o homem apenas pedia dinheiro para as pessoas antes de ser agredido pelo policial. “Uma amiga minha falou que foi lá 20 minutos antes e ele pediu moeda para ela. Ela deu e ele foi super atencioso. E várias pessoas comentaram no meu post que conversaram com ele no dia, dizendo que ele estava tranquilo e conversou com todo mundo”, conta.

“Ele não fez mal a ninguém, muito menos ao policial. Não tem o que fazer, a polícia é racista. Isso é um absurdo. Fico pensando se fosse uma pessoa branca, se aconteceria a mesma coisa. Se fosse eu, tenho certeza que aconteceria a mesma coisa comigo. Não é questão de ser ‘morador de rua’”.

O rapaz relata ainda como começou a agressão. “Os policiais chegaram muito perto dele com a viatura, jogaram spray de pimenta nele. Aí ele começou a ir para trás do supermercado. Levou quatro cassetadas nas costas com muita força. No vídeo, dá para ouvir o barulho, ele gritando e implorando, dizendo: ‘eu não fiz nada, senhor!’. Fiquei paralisado. Você se sente impotente em não poder ajudar um irmão. Se eu tivesse ido ajudar, poderia sido alguém me gravando apanhando. É difícil demais”, conta.

Ocorrência policial

A assessoria de imprensa da Polícia Civil do DF (PCDF) enviou detalhes da ocorrência registrada na 16ª Delegacia de Polícia (DP), de Planaltina. Pelo que diz no texto, o próprio homem que sofreu as agressões foi quem fez o registro.

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Ele afirma que foi agredido fisicamente por policiais militares fardados. De acordo com relato do rapaz, por volta de 21h ele estava saindo do mercado, após comprar um refrigerante e duas cervejas. Ao sair do mercado, foi abordado no estacionamento por três policiais, — e não apenas dois como no vídeo — que determinaram que ele colocasse a mão na parede, sendo feita busca pessoal, mas não encontraram nenhum ilícito.

“Após isso um dos policiais desferiu um soco na costela da vítima, em ato contínuo os policiais disseram para ele calar a boca, deram socos da cabeça, tendo a vítima saído correndo, sendo acertado nas costas e braço por cassetadas. A vítima veio a cair ao chão sendo que policiais militares utilizaram gás de pimenta. O comunicante informou que após os fatos, os policiais não o colocaram na viatura. Ele mesmo saiu andando e foi para casa. A vítima foi encaminhada ao IML”, informa a Polícia Civil.

“Não há que se falar em atitude racista”, diz PMDF

Em nota, a Polícia Militar do DF informa que foi acionada pela população para atender inúmeras denúncias de perturbação da tranquilidade e da ordem pública, naquele local. “Conforme as imagens divulgadas, os policiais foram até o local para atender a mais um chamado de perturbação e o final da ação foi registrada conforme o vídeo. Não há que se falar em atitude racista, mas de excesso na ação policial”, declara a corporação.

A PMDF acrescenta que foi instaurado IPM (Inquérito Policial Militar). “As filmagens foram recolhidas como objeto de investigação. Os servidores policiais militares serão ouvidos ainda na tarde de hoje (2), assim como possíveis testemunhas. Os policiais foram afastados do serviço operacional”, determina.

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