fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Cidades

Coronavírus: mortes alarmam os quilombolas

Olavo David Neto

Publicado

em

PUBLICIDADE

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) emitiu alerta público a cerca da chegada da pandemia do novo coronavírus nos aglomerados negros. Segundo a entidade, de sete casos confirmados entre quilombos de cinco unidades federativas, seis evoluíram para óbito, índices que tornam a taxa de mortalidade superior a 85% nos quilombos.

Até o momento, foram oficializados um falecimento tanto no quilombo Abacate da Pedreira quanto no Ressaca da Pedreira, no Amapá; uma morte no Itacoã Mirim e outra no Espírito Santo, no Pará; um óbito em Pernambuco, cujos dados não foram divulgados a pedido da família da vítima, e outro na comunidade Boa Nova, em Goiás. Conforme o documento, assinado por outras 11 entidades – incluindo o Laboratório Matula, da Universidade de Brasília (UnB) -, as ações do poder público, já raras em tempos normais, estão ainda mais escassas durante a pandemia.

“Devido à falência estrutural de sucessivos governos e dinâmicas de racismo institucional, os relatos da maior parte das comunidades é de frágil assistência”, diz a nota. Fundadora da Conaq, Givânia Silva aponta também para a subnotificação dos casos da covid-19 nos quilombos. “Muitas comunidades não têm acesso às instituições de saúde, quando têm, não há contato com a rede governamental”, diz a quilombola, que também faz parte dos coletivos de mulheres e educação da Conaq.

Segundo estimativas do órgão, o Brasil conta com cerca de seis mil quilombos, com população – jamais recenseada pelo Estado – que pode chegar a 18 milhões de pessoas. Givânia aponta o precário fornecimento hídrico como potencializador de contaminações pelo novo coronavírus. “As recomendações dos especialistas indicam isolamento e lavagem das mãos, mas muitas comunidades não têm água”, denuncia a quilombola.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além da higiene, o parco acesso às comunicações inviabilizam o recebimento de incentivos governamentais. “O auxílio emergencial fica disponível por um aplicativo, só que muitos quilombos sequer têm conexão de internet. A iniciativa de monitorar o avanço da covid-19 veio da ausência dos governos em todos os âmbitos federativos em noticiar os casos quilombolas.

“Eu vejo uma omissão das instituições gestoras da saúde no quesito raça/cor”, critica. Por isso, a própria Conaq enviou mensagens às lideranças estaduais. “Disparamos alertas para as coordenações, que passam direto para as secretarias dos estados, que por sua vez repassam ao Ministério da Saúde”, explica Givânia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Números podem crescer. Uma morte no interior da Bahia ainda está em análise pelas autoridades, que não forneceram dados à confederação. Além dos óbitos, 29 outros casos estão sob investigação. Outro ponto para a desconfiança em relação às divulgações de infectados, segundo Givânia, é a desorganização da gestão de dados relativos à covid-19. “O Brasil não consegue concentrar os dados”, lamenta ela.




Leia também


Publicidade
Publicidade
Publicidade