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Cidades

Com seis meses de vida, Iges-DF desponta como modelo de gestão

“Não podemos fazer mágica. Consertar os estragos materiais e reparar erros que existem no sistema e na estrutura, demanda tempo”

Publicado

em

Lindauro Gomes
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Numa semana dura para área de saúde no Distrito Federal, o presidente do Iges-DF, Francisco Araújo em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, faz um balanço de seis meses da criação do Instituto e aponta que não existem só erros, mas também exemplifica acertos, mesmo com muito a fazer.

Qual é o balanço que o senhor faz dos seis primeiros meses de gestão?

A criação do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF), há seis meses, foi a alternativa mais eficiente encontrada pelo governador, Ibaneis Rocha, para atender as grandes demandas estruturantes do sistema público de saúde do Distrito Federal, especialmente na atenção terciária, ou seja, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais, que estavam completamente devastados.

Nesse sentido, levando em consideração o tamanho do estrago que encontramos na atenção à saúde, nosso balanço é extremamente positivo. Graças ao esforço intenso do governo, o sistema de saúde caminha para funcionar da maneira que a população do DF precisa e merece. Não podemos fazer mágica. Sabemos que consertar os estragos materiais e reparar erros que existem demanda tempo. Mas, pouco a pouco, estamos colhendo os frutos do nosso esforço, trabalho e dedicação.

E, é com essa perspectiva, que consideramos simples, mas essencial, que pretendemos conquistar aquilo que há muito se busca: oferta de um sistema de saúde inclusivo, preventivo, resolutivo, humanizado e que cumpra todos os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

Quais são os principais benefícios dessa nova configuração de gestão?

O IGESDF possui um modelo híbrido (estrutura pública com gestão privada) que tem características peculiares, como o Regulamento de Compras e o Regulamento de Contratação de Pessoal. Esses dois instrumentos, que possibilitam flexibilizar e acelerar processos apresentam resultados com mais rapidez para atender às necessidades da população em todas as unidades sob a gestão do Instituto.

Atualmente, nosso modelo dispõe de um complexo de mais de 1,3 mil leitos e esta configuração, criada em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), conta com pactuações recorrentes que estabelece metas e programas a fim de que toda a comunidade do DF seja beneficiada.

Nesse sentido, para garantir a transparência e ter o controle efetivo dos investimentos, a SES faz o repasse de recursos dentro de uma programação e o Instituto comprova a realização de todas as ações por intermédio de um instrumento chamado Contrato de Gestão. Além disso, todos os gastos com despesas, investimentos e recursos humanos são publicados em nosso site, mensalmente.

Essas ações conferem ao nosso modelo de gestão, exatamente, a forma como tudo tem sido realizado até aqui, que é com clareza, objetividade e com o foco na melhoria do atendimento à uma população que vem sofrendo há tantos anos, carente de atenção, humanização e qualidade na saúde pública.

Quais as principais realizações que o IGESDF apresenta até aqui?

Em seis meses, reabrimos o sétimo andar do Hospital de Base com 26 leitos, reformamos as UPAs, reabastecemos os estoques de medicamentos e insumos, estamos colocando 2,4 mil novos profissionais nas nossas unidades e concluímos todas as etapas necessárias para a celebração, definitiva, do Contrato de Gestão com a Secretaria de Saúde para ampliar a atuação do IGESDF.

Com essa expansão do modelo de gestão do IGESDF, que está absorvendo todos esses trabalhadores – entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, além de outras categorias – trabalhamos com o que consideramos essencial para uma boa administração, que é a transparência, comunicação direta com a comunidade, informatização de sistemas da SES e outro ponto impactante: o fortalecimento da Atenção Básica. Essa ação se desdobra com a recomposição das equipes de saúde da família, que devem ser formadas por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e agentes comunitários, mas foram criadas pela gestão passada sem os integrantes necessários.

O governo atual recebeu muitas equipes incompletas, ou seja, sem médicos e sem os demais profissionais necessários para o funcionamento pleno desse atendimento. Por isso, estamos trabalhando para recompor essas equipes e reestruturar todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que são os antigos postos e centros de saúde, para que estejam prontas e sejam disponibilizadas para o efetivo atendimento à nossa comunidade. O trabalho já teve início nas regionais de Ceilândia e Santa Maria e prosseguirá para todo o DF.

Como já disse, as reformas das UPAs, a reabertura de andar desativado no Hospital de Base, e as contratações de recursos humanos são alguns dos exemplos que demonstram exatamente nossa preocupação com uma concepção diferente de gestão no IGESDF.

É justamente com essa preocupação, na melhoria do atendimento e mais cuidado com as pessoas, que já estamos trabalhando na implantação de um projeto inovador focado no acolhimento: o “Projeto Humanizar”. Essa proposta fará da humanização do atendimento a grande mola mestra de todos os processos dentro de nosso Instituto.

No caso específico do Hospital de Base e levando em consideração a idade da estrutura física, vocês enfrentam outros desafios?

Com certeza. Nosso hospital precisa estar em constante manutenção e já necessita de grandes intervenções estruturais. Temos o desafio de trabalhar nessas frentes com uma estrutura que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. É como trocar o pneu de um carro em movimento.

Para isso, estamos elaborando projeto e contratando uma empresa para realizar as principais intervenções necessárias e que não podem mais ser adiadas. Fazer a reforma geral do bloco de emergência é uma delas.

Composto pelo Pronto-Socorro, Centro Cirúrgico e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), esse bloco é importantíssimo para o IGESDF e para toda a rede pública do DF. O projeto arquitetônico já começou a ser elaborado e, em breve, as obras serão iniciadas.

Quais são os próximos passos?

Temos grandes e inúmeros desafios a serem enfrentados. Mas temos que ter planejamento, visão de futuro e os pés no chão.

O que podemos afirmar, com toda a convicção, é que o IGESDF veio para ficar e os bons resultados traduzirão para todo o Distrito Federal o sentimento efetivo de que trabalhamos em todas as frentes, em sintonia com a Secretaria da Saúde, para realizamos sempre o melhor para toda a nossa comunidade.

Nesse sentido podemos listar alguns pontos fundamentais:

A implantação de uma nova subestação de energia elétrica no Hospital de Base – o maior hospital do DF e um dos maiores do Brasil, referência em atendimentos de alta complexidade como trauma e câncer – possibilitará o aumento da capacidade energética e, com isso, avançaremos na modernização e ampliação do nosso parque tecnológico com novos equipamentos médicos/hospitalares.

Também, trabalhamos para colocar em funcionamento o PET Scan, que nunca foi instalado, teve o custo de R$ 3 milhões e está parado há mais de seis anos. Um aparelho moderno, imprescindível e que contribuirá para diagnóstico e acompanhamento de pacientes que estão em tratamento contra o câncer.

Que considerações o senhor faz dessa gestão diferenciada?

Por saber que os resultados na área da saúde são aguardados com ansiedade pela população e que produzem impactos positivos e fundamentais na vida das pessoas, precisamos de uma gestão arrojada, eficiente e baseada em pilares que priorizem a otimização do tempo, espaço e recursos humanos e materiais.

Estamos trabalhando com a saúde das pessoas. Não podemos comparar a compra de medicamentos e materiais médicos a uma simples aquisição de material administrativo. Nossa missão é salvar vidas e oferecer tratamentos dignos e adequados. É isso que a população merece e espera desse projeto criado pelo governador Ibaneis Rocha e que é a sua grande inspiração.


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