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Brasília

Verdadeira cigana não assusta nem vende falsa promessa, alerta cartomante em evento

O grande destaque do festival foi a homenagem à rica cultura do povo cigano e a valorização dos cartomantes

Agência UniCeub

23/05/2026 16h03

Atualizada 24/05/2026 16h34

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Foto: Mariana Mazzaro/ Agência de Notícias Uniceub

Por Mariana Mazzaro e Beatriz Ribas 

A cartomancia entrou cedo na vida de Eliane Barbosa da Silva. Conhecida como “Cartomante Flor”, ela garante que começou a ler cartas ainda aos 13 anos de idade, quando percebeu que carregava um dom espiritual que a acompanharia por toda a vida.

Segundo Eliane, existe uma diferença clara entre quem realmente vive a espiritualidade e quem apenas utiliza a imagem cigana para enganar pessoas. “Hoje qualquer um pode se vestir de cigano”, afirma.

 Para ela, a verdadeira cigana espiritual não tenta manipular, assustar ou vender falsas promessas. A essência está no acolhimento e na luz transmitida através do olhar, da palavra e da intenção.

Cercada também por amigos ciganos originários, ela acredita que a energia cigana vai muito além das roupas coloridas ou do misticismo popularizado.

Segundo Flor, cartomancia não é espetáculo, nem brincadeira. É um trabalho espiritual que exige sensibilidade, entrega e verdade. Flor afirma carregar consigo sua cigana espiritual, uma entidade que guia seus caminhos e sua missão.

Segundo uma cartomante que se identificou como Flávia, não tem como o consulente saber a diferenciação de espiritualidade séria de exploração financeira, mas estudar sobre os assuntos, ter contatos e feedbacks com consulentes de cartomantes ajudam no processo de filtrar e ter cuidado de ter um profissional que trabalhe alinhado à espiritualidade.

A trajetória da Cartomante Flor

Hoje, com mais de 21 anos de santo na Umbanda, a cartomante se tornou universalista. Ela defende que a espiritualidade precisa ser tratada com respeito, responsabilidade e amor.

Ela apresentou seu dom na última semana no que o é considerado o maior evento esotérico do país, o Mystic Fair, que uniu, em Brasília, adeptos dessa prática.

O grande destaque do festival foi a homenagem à rica cultura do povo cigano e a valorização dos cartomantes.

O público fez filas nos estandes para vivenciar a sabedoria do baralho cigano e da quiromancia (leitura de mão). O objetivo da feira foi oferecer uma plataforma de prestígio para que os praticantes dessa herança mostrassem a cartomancia como uma arte com elementos sagrados.

Os visitantes puderam mergulhar em palestras gratuitas, rituais de queima de carmas e apresentações de dança que evidenciaram a alegria e a resiliência das comunidades ciganas.

Cartomante pede desmistificação 

A cartomante utiliza cartas, como tarô e baralho cigano, para interpretar situações ligadas ao amor, trabalho, família e autoconhecimento. As consultas podem acontecer presencialmente ou online e costumam atrair pessoas em momentos de dúvida emocional.

Questões amorosas lideram as buscas, com perguntas sobre términos, traições e reconciliações. Também são comuns dúvidas sobre dinheiro, carreira e espiritualidade. Muitos profissionais afirmam que o trabalho exige preparo emocional, já que lidam diariamente com relatos intensos de ansiedade, medo e conflitos pessoais.


Preconceitos

Durante a entrevista à Agência Ceub, Flor falou sobre o preconceito histórico enfrentado pelos povos ciganos. Ela lamenta que ainda existam estigmas que associam ciganos a oportunismo ou crimes, especialmente o mito de que roubavam crianças.

Cartomante Flávia em evento no DF. Foto: Mariana Mazzaro/ AgênciaUniceub 

Segundo sua visão espiritual e cultural, muitas das crianças acolhidas pelos povos ciganos eram abandonadas por famílias que não podiam criá-las. Os ciganos, então, davam abrigo, alimento e amor.

Ela explica que, antigamente, as decisões sobre o destino dessas crianças eram tomadas pelas mulheres mais velhas do grupo, através de rituais de leitura espiritual. A água, o fogo, as cartas, a lua e as estrelas eram sinais usados para buscar respostas. Para Flor, essa tradição sempre esteve ligada ao acolhimento e à proteção.

A cartomante também falou sobre a Umbanda e sua relação com o povo cigano. Para ela, a religião possui diferentes vertentes, mas todas devem caminhar através do amor e da caridade.

“O povo cigano é puro amor”, diz. No entanto, Eliane reconhece que existem pessoas movidas pelo ego dentro da espiritualidade, médiuns que desejam apenas reconhecimento ou poder.

Ela acredita que a verdadeira incorporação espiritual é percebida na forma de tratar o próximo. “Você percebe no olhar”, explica. Segundo Flor, quando há amor genuíno, não existe interesse escondido. Existe apenas a vontade de orientar, acolher e ajudar.

Embora defenda a espiritualidade gratuita no momento do aconselhamento sincero, Eliane também reforça que a cartomancia é seu trabalho. Assim como qualquer profissão, ela afirma que os ciganos precisam exercer seus dons para sobreviver. “Nós também precisamos trabalhar para comer”, destaca.

Ao longo da conversa, Flor reforçou diversas vezes a importância da responsabilidade espiritual. Para ela, o mundo místico pode ser transformador, desde que seja conduzido com seriedade.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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