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Brasília

Verba foi liberada, mas nada de obras até agora

Arquivo Geral

15/09/2013 9h30

Seis meses se passaram desde o anúncio da liberação de verbas para obras de infraestrutura em Vicente Pires e até agora nada foi feito na cidade. O repasse, feito em março, levou esperança aos moradores. Afinal, uma soma vultosa de R$ 500 milhões prometia acabar com os constantes alagamentos, buracos e erosões pelas ruas. Diante da promessa, as faixas de “Muito obrigado, Governador” foram espalhadas por toda a cidade, no entanto, alguns moradores questionam agora se o anúncio não se tratava apenas de campanha política. 

 

O investimento é proveniente da aplicação em 12 novos empreendimentos selecionados para a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2. Com isto, o Distrito Federal recebeu R$ 1 bilhão. 

 

Obras previstas

 

Ainda na época, de acordo com a Secretaria de Obras, os trabalhos de melhoria do asfalto e drenagem de águas pluviais começariam logo após o período das chuvas, no primeiro semestre deste ano. Seguindo este calendário de obras para Vicente Pires ainda seriam realizadas obras para implementação das redes de água e esgoto, seguidas do sistema de drenagem de águas pluviais e, finalmente, a conclusão de todo o serviço, com nova camada de asfalto, meio-fios e pintura.

 

Pode demorar mais

 

O administrador da cidade reconhece que possivelmente somente em 2014 as obras começarão. “Temos que contar ainda com o período de chuva. A população acha que é de imediato, mas há todo um trâmite”, diz Glênio José da Silva. 

 

Já a Secretaria de Habitação do DF é menos otimista. A pasta informou, por nota, enquanto Vicente Pires não for regularizada não há possibilidade de fazer grandes investimentos na região. Mesmo assim, o projeto foi encaminhado para a Caixa Econômica para análise e posterior liberação dos recursos.

 

Saiba Mais

 

A Administração Regional de Vicente Pires informou que o órgão que está gerindo os recursos é a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). 

 

A Rua 8 da Vila São José é uma das mais afetadas pela falta de infraestrutura e teria prioridade para o início das obras.

 

Associações pensam diferente

 

 

A Associação de Moradores de Vicente Pires e Região (Amorvipe) reclama da situação. “Desde quando foi liberado esse dinheiro, nunca vimos nada sendo feito. Acreditamos que estes recursos se tratavam apenas de campanha”, diz o presidente da associação, Gilberto Camargos. Ele diz que a drenagem pluvial na cidade custaria em torno de R$ 800 milhões  e que demoraria cerca de dois anos. “O recurso é pouco se comparado ao tamanho do problema. E se começar e não terminar vai ser um transtorno imenso. A nossa única saída tem sido recorrer aos protestos”, diz Gilberto, comunicando que no próximo dia 20 moradores fecharão a Via Estrutural a partir das 18h. “Se não formos atendidos, faremos isso todas as sexta-feiras”, avisa. 

 

Opinião contrária 

 

A Associação Comunitária de Vicente Pires (Arvips) diz que o dinheiro será usado na obra. “Os valores estão na Caixa Econômica, é falta de informação das pessoas e isto também se deve à ansiedade por causa de tantos anos de sofrimento”, opina o presidente da associação, Dirsomar Chaves. “A obra só é possível mediante licença ambiental que só saiu no meio do ano. Em seguida, participamos da audiência pública. A expectativa é de que a licitação seja lançada do final de setembro ou início de outubro”.

 

 

Moradores protestam por mudanças


Problemas não faltam. Em frente ao Condomínio Residencial Nosso Lar, na Rua 08 da Vila São José, um esgoto jorra há pelo menos um ano. O comerciante Wabson Martins, 44 anos, diz que o problema é tão antigo que ele perdeu a esperança de ver a situação regularizada. “Vou comprar um bolo de aniversário para este esgoto derramando aqui. Já vai fazer um ano que estamos nesta situação. Já chamamos a Caesb, só que eles falaram que não têm nada a ver com isso. A Agefis disse que iria multar o condomínio sendo que este esgoto vem da rua”, comenta o morador da região há 10 anos. “O asfalto está estragado e a gente não vê nada sendo feito. Além disso, corremos risco de contrair doenças, sem falar no mal cheiro”, finaliza. 

 

Manifestação


Cerca de 40 moradores da rua 19, na Vila São José, em Vicente Pires, fecharam o Pistão Norte e a rua 8 da região nos últimos dias 11 e 12, reivindicando infraestrutura no bairro. Eles queimaram pneus na altura da QND 59 e interromperam o trânsito no acesso à via Estrutural. Os moradores pedem a instalação de redes de água e de esgoto, pavimentação e serviço de coleta de lixo. 

 

A diarista Jailma Dias, 38 anos, participou da manifestação. Ela mora na Rua 19 da Vila São José. “Não tem rede de esgoto, nem creche, asfalto, unidade de saúde, falta tudo aqui”, enumera. Ela conta que o grupo de moradores já participou de três reuniões com a administração da cidade, mas afirma não terem sido atendidos. “É só promessa, nunca vimos nada de concreto ser feito, o tempo passa e nada. Aqui é uma calamidade, tem ratos, escorpiões e baratas porque não entra nem caminhão de lixo nas ruas”, relata a moradora. 

 

 
“As coisas só pioram”
 
 
A servidora Lurdes Maciel, 48 anos tem quatro netos e diz que frequentemente as crianças adoecem por conta do poeira e do lixo espalhado pelas ruas. “Moro há mais de 40 anos neste lugar e só vejo as coisas piorarem. Não ter uma unidade de saúde para uma população deste tamanho é um absurdo”, avalia. A irmã dela, Patrícia Maciel, 42 anos, autônoma, avisa que os moradores farão mais protestos. “Não conseguimos ser ouvidos por nenhuma autoridade, por isso, vamos continuar nos manifestando”, esclarece. 
 
 
 
Prioridade?
 
 
De acordo com a moradora, no dia 23 do mês passado o administrador da cidade prometeu que máquinas começariam as operar no local, mas nada aconteceu. No entanto, agora, Glênio da Silva garante que a região é uma prioridade do governo. “Vamos fazer esta obra antes de recebermos o recurso do PAC. A licitação já está pronta, aguardando somente a liberação do recurso, estamos analisando este caso como urgente”, destacou.
 
 
A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) pretende ainda fazer mudanças no projeto de drenagem das águas pluviais. O pedido, segundo o órgão, veio dos moradores e da administração regional. Eles alegam que o projeto –já outorgado pela autarquia especial-, devido à crescente urbanização da região, necessita de adaptações. O projeto aprovado, segundo Glênio Silva, tornou-se impraticável, pois áreas escolhidas para receber pontos de contenção das águas estão sob solo hidromófico ou em áreas de chácaras ocupadas.
 
 
 
População acata pedido da Adasa
 
 
Recebidos pelo Superintendente de Recursos Hídricos, Rafael Mello e pela reguladora Cristiane Castro (responsável pela área de outorga de barragens e lançamento de efluentes), os representantes dos moradores de Vicente Pires tiveram acatadas suas sugestões e atenderam um pedido da Adasa: vincular ao processo de regularização fundiária da região a necessidade de todos os moradores cuidarem da destinação das águas de chuva oriundas de suas propriedade.
 
 
A proposta, segundo Rafael Mello, é uma garantia de que os lançamentos de águas pluviais chegarão aos corpos hídricos em quantidade e qualidade adequados, de forma a manter suas características naturais preservadas, causando o menor impacto possível. A Agência acredita que este processo de adaptação não ocasionará em mais atrasos para o início das obras. 
 
 
 A Secretaria de obras e a Novacap não responderam aos questionamentos da reportagem.  
 

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