A onda de protestos que tomou conta do País vem ganhando proporções. E o desespero da população que luta por melhorias em diversos setores chegou à Região Metropolitana do DF. Mas, como nos demais protestos, uma minoria transformou o protesto pacífico em Valparaíso de Goiás em um triste espetáculo de vandalismo.
Tudo começou quando moradores fecharam duas vias da BR-040 para protestar por melhorias no transporte público, nos serviços de saúde e fim da corrupção. Segundo a Polícia Militar, cerca de sete mil manifestantes participaram do ato, que começou na manhã de sexta e invadiu a madrugada de sábado.
A tensão foi marca registrada da manifestação. Alguns manifestantes atearam fogo nos ônibus e queimaram pneus impedindo que veículos passassem pelo local. À noite, o clima era de terror e confusão. Vários grupos, com 200 pessoas, espalharam-se pela cidade. Um deles invadiu a prefeitura e provocou estrago no local. O departamento jurídico foi queimado, a sala do gabinete foi depredada e alguns computadores foram saqueados.
Prejuízo
Para a prefeita de Valparaíso, Lucimar Conceição do Nascimento, a situação é lamentável. “É um momento delicado, preocupante e triste. Tivemos um ato que começou de forma pacífica e de repente mudou”, explica. “Tenho uma história nos movimentos sociais e sou fruto das manifestações. Mas elas precisam ser pacíficas sempre.”
A prefeita explica como foi a ação de vandalismo. “Eles já tinham passado pela prefeitura, mas começaram a colocar fogo e foram pipocando em diversos pontos da cidade”, disse. Segundo ela, um ponto chamou a atenção. “Eles focaram na consultoria jurídica, secretaria de finanças e gabinete. Só quem conhece a prefeitura poderia achar de maneira tão rápida esses locais.”
Lucimar diz que a prefeitura perdeu inquéritos, documentos encaminhados pelo Ministério Público e processos de investigação. São perdas irreparáveis, além dos computadores”, afirmou. Ela destaca que a polícia recuperou alguns aparelhos e capturou 14 suspeitos, menores.
Diante do ocorrido, o efetivo da polícia no local foi alterado. “A partir de agora serão 200 policiais nas ruas. Antes esse número era de 20. Número ainda pequeno, mas que pode ajudar a fazer a diferença.
Colaborou Rômulo Maia
Medo de quem só queria pedir melhorias
A estudante Tayane de Andrade, 21 anos, participou do protesto e contou que um pequeno grupo de vândalos foi responsável por atear fogo nos pneus. Segundo ela, os manifestantes “pacíficos” ficaram assustados. “Cheguei às 16h e estava tranquilo. Paralisamos as duas vias da BR-040, sem fogo. Porém, às 19h, alguns manifestantes chegaram e começaram a colocar fogo nos pneus”, contou.
Segundo ela, quando o fogo começou, a maioria decidiu ir embora. “Vimos que ficaria perigoso”, falou. Desesperada em achar um local seguro para se abrigar, Tayane entrou em um shopping. “Em 20 minutos as lojas fecharam e disseram que estavam tentando invadir. Algumas funcionárias choraram.”
Terror
O cenário ao sair do shopping era de terror. “Os ônibus estavam sendo quebrados e começaram a queimá-los. Quando finalmente cheguei em casa pensei que estava em segurança, mas não estava. Tinha um ônibus estacionado perto da minha casa e em cinco minutos estava pegando fogo”, disse.
Com medo de que o fogo ganhasse proporção maior e atingisse a residência, Tayane ligou para o Corpo de Bombeiros. “Eles nos informaram que não era o único, mas mesmo assim chegaram muito rápido.”
Inconformada com a ação dos vândalos, a manifestante afirma que pensou em desistir de lutar por melhorias. “Mas não posso, pois tudo isso é reflexo de um governo que precisa investir em educação. Afinal, quem praticou isso foram pessoas vazias e sem consciência”.