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Brasília

Vaidade: cada vez mais cedo na mesa de cirurgia

Arquivo Geral

23/07/2013 8h33

No Distrito Federal são realizadas aproximadamente 24,9 mil cirurgias plásticas por ano. Desse total, 3,7 mil são em adolescentes, ou seja, 15% dos procedimentos. 

 

Esta é uma tendência que acompanha a média nacional. O número de cirurgias plásticas no Brasil em adolescentes entre 14 e 18 anos mais que dobrou em quatro anos: saltou de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012 (141%), segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

 

O DF acompanhou este aumento. “Na minha estimativa, mais que triplicou. Hoje a cirurgia é feita com um padrão de segurança muito superior, o que repassa uma confiança aos pacientes”, avalia Kátia Torres, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica no DF (SBCP). 

 

Os principais procedimentos realizados nesta faixa etária são de correção de orelha em abano, mamoplastias (redução das mamas), ginecomastias (crescimento do tecido mamário masculino), tratamento de cicatrizes inestéticas e cirurgias bariátricas (redução da obesidade). “As pessoas veem que elas podem corrigir aquilo que, para elas, não está bom. A obesidade, nesta faixa etária, também contribuiu para o crescimento da cirurgia plástica, entre elas, a plástica reparadora”, explica Kátia Torres.

 

Maioria feminina

 

No DF, o público feminino é o que mais se submete à cirurgia, em média, 59% dos pacientes. Este é o caso da estudante Letícia Soares, 19 anos. Ela colocou 235 ml de prótese de silicone há pouco tempo. “Resolvi fazer porque me incomodava bastante, os meus pais sabiam que eu estava infeliz com esta condição, então eles aceitaram”, explica. O procedimento custou R$ 9 mil, presente dos pais. “Eu não vejo problemas na cirurgia plástica em adolescentes. Quando incomoda, quanto mais cedo você se livrar daquilo, é melhor”, considera Letícia.

 

Ponto de Vista 

 

O cirurgião plástico do Hospital Brasília  Simão Pedro Safe   considera que o aumento no número de cirurgias é visto com bons olhos, desde que o procedimento seja feito de acordo com a idade do adolescente.

 

 Em uma cirurgia para implante de silicone, o cirurgião considera aceitável fazer só quatro anos após a primeira menstruação. “Neste período a adolescente passa por muitas modificações no corpo”. A cirurgia de nariz é recomendada pelo especialista somente após os 17 anos. Já a retirada da glândula mamária deve ser evitada antes dos 18 anos. O especialista diz que a maioria dos adolescentes vai ao consultório em busca da questão estética.

 

Entretanto, eles devem estar sempre acompanhados dos pais. “Lembrando que o cirurgião deve ser um profissional altamente recomendado”, diz Simão Pedro, observando que é grande a satisfação quando o resultado é 100%. 

 

Procura cresce nas férias

 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, entre os principais procedimentos reparadores realizados pelos adolescentes estão o traumatismo de face por agressão física, que responde por 30% dos atendimentos em pronto-socorro, sobretudo a fratura de nariz, provocada por acidentes automobilísticos e domésticos. 

 

O número é crescente também em relação a cirurgias para traumatismos de membros superiores e inferiores e sequelas de queimaduras.

 

Caso a caso

 

Kátia Torres, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica no Distrito Federal, relata que nas proximidades dos meses de férias aumenta a procura nos consultórios. Segundo a SBCP, o aumento é de cerca de 60%. “Eles querem estar bem para se relacionarem com amigos e namorados. As queixas mais frequentes são em relação às orelhas, que geram constrangimento nos adolescentes. Já as meninas têm grande curiosidade sobre a mama. Em pesquisa, elas sempre querem saber mais sobre os implantes de silicone”, informa.

 

Os cirurgiões avaliam caso a caso a fim de esperar o desenvolvimento do órgão do adolescente a ser operado. “A idade pode variar, pois há pessoas com 14 anos que já apresentam um corpo adulto. Por isto, o procedimento da consulta é muito importante antes de qualquer decisão”, aconselha Kátia Torres.

 

A recepcionista Tatiane Godoi, 18 anos,  já pensa em fazer a mamoplastia. Ela atualmente usa sutiã tamanho 48 e deseja reduzir para o 42. “Este problema dos seios grandes está na minha família, mas no meu caso me sinto incomodada com o peso, sinto dores nas costas, vejo mais como uma necessidade e não por estética”, relata. A menina conta que os pais já concordaram com o procedimento, entretanto aguardam pelos recursos financeiros. A cirurgia da jovem deve ficar em torno de R$ 7 mil.

 
 
Muitos pontos devem ser observados
 
 
 
Os procedimentos da cirurgia plástica podem ser feitos em clínicas ou em hospitais. O local, porém, vai depender do tipo de procedimento a ser realizado e do estado de saúde do paciente.
 
 
“Toda cirurgia tem um risco. As clínicas devem seguir as recomendações da Anvisa e o cirurgião deve estar associado”, esclarece a presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica do Distrito Federal (SBPC), Kátia Torres. 
 
 
A SBCP trabalha para implantar nos consultórios selos de qualificação. “Em Brasília, já temos uma vantagem, pois o rigor é maior em relação ao padrão de segurança”, observa Kátia.
 
Outro ponto que deve ser observado antes de encarar um procedimento cirúrgico é se, de fato, ele vai melhorar a autoestima da pessoa. 
 
Alto custo
 
Segundo o cirurgião plástico Simão Pedro Safer, muitos adolescentes apresentam, inclusive, alteração psicológica por conta daquilo que as incomoda. “Isto atrapalha no convívio social, por isso muitos se convencem que a cirurgia é a melhor escolha”.
 
Seja por questão estética ou para reparar algo considerado um defeito, a cirurgia pode custar alto. Um dos procedimentos mais feitos pelos adolescentes, a operação de orelha de abano, custa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Entre os procedimentos estéticos mais procurados pelas adolescentes, o implante de prótese mamária pode chegar a R$ 20 mil.

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