Passageiros que precisam usar micro-ônibus na expansão de Santa Maria estão sofrendo. São vários os problemas referentes ao transporte. Um deles é o não cumprimento de horário. “É sempre assim, quando a gente precisa não tem. Cadê esse ônibus? Tudo é ruim, eles sempre chegam atrasados e muitas vezes nem param onde eu preciso. O percurso deles é perigoso, muito ruim”, diz Iracilanis dos Santos, usuário do coletivo.
Outra reclamação é que os ônibus saem do terminal com as luzes ligadas e ao fazerem o retorno, elas são desligadas. Segundo a população, a estratégia é usada pelos motoristas para não terem de pegar mais passageiros. Além disso, em vez de usarem a pista próxima às casas, onde há duas paradas de ônibus, eles passam pela rua de trás, sem iluminação, do lado do mato e do lixão.
Leandro Montes de Oliveira, 15 anos, conta que fica indignado ao ver pessoas de idade e gestantes correndo para tentar pegar o ônibus que passa no lugar errado. “Às vezes as pessoas nem conseguem chegar a tempo. Sem contar que ninguém tem coragem de esperar o ônibus naquele escuro, do lado do lixão e do matagal, é perigoso. Lá não tem parada de ônibus, é perigoso. Tenho uma amiga que já passou por um aperto esperando lá, quase foi abusada. Já até falei com os motoristas e eles dizem que não passam aqui devido aos quebra-molas”, observa.
A cena de pessoas correndo para pegar o micro-ônibus na outra rua é diária. Maria Aparecida Pinto mora em frente ao ponto de ônibus que sempre está vazio e confirma: os ônibus não passam onde deveriam. “Todo dia eu vejo a luta de alguém para chegar ao ônibus. Já aviso que é melhor ficar no meio, entre uma pista e outra, para dar tempo de correr, porque é muito difícil pararem desse lado e não dá tempo de correr. Muita gente já veio me dizer que foi reclamar com o motorista, mas não adianta”, completa.
O outro lado da história
O cobrador de ônibus Jefferson Vieira diz que os motoristas não podem utilizar a pista próxima às casas e que não existem paradas de ônibus delimitadas. “Ali é uma pista residencial, os ônibus teriam que andar a 20 km/h, não dá”, observa. Ele conta que já pediram para a DFTrans colocar paradas na pista paralela.
Jefferspn também negou o fato de os ônibus andarem com as luzes desligadas. “Isso só acontece quando um ônibus, fora de seu horário, vai levar as pessoas exclusivamente para a expansão e por isso não tem a obrigação de parar para outros passageiros”, conta.
Terminal
Jefferson Vieira, além de cobrador, também faz papel de fiscal e despachante no terminal de Santa Maria. Ele reclama das condições de trabalho do local. “Olha esse lugar: os banheiros estão imundos, se não trouxéssemos material de limpeza de casa estaria pior. A empresa que assumiu não colocou ninguém para limpar. Tem um vazamento de água e já faz 30 dias que chamamos a CAESB e nada”, reclama.
Versão oficial
O DFTrans informa que a fiscalização vai apurar as irregularidades e se a denúncia proceder, a operadora será autuada. O órgão diz, ainda, que os motoristas não podem trafegar com as luzes apagadas. Os usuários podem fazer reclamações pela Ouvidoria do órgão pelo telefone 162 ou no www.dftrans.df.gov.br.