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Uma luminária artística que se apaga

Banqueiro e colecionador de arte, Celso Albano, 91 anos, deixa a família, amigos e um tesouro cultural em Brasília

Cezar Camilo
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“Um verdadeiro professor”, é assim que define um dos discípulos de Celso Albano Costa, 91 anos, que deixou família e amigos, nesta quinta-feira (13), após uma longa batalha contra um câncer. Ele esteve à frente de uma das principais galerias de arte da capital que carrega seu nome, também fundou o Instituto Rubem Valentim, em São Paulo. Além de presidir o Banco Regional de Brasília (BRB), de 1979 a 1982, e a extinta Secretaria de Finanças do GDF, de 1982 a 1985.

A morte do doutor Celso, como era carinhosamente chamado pelos colegas, encerra uma vitoriosa trajetória que começou em Salvador, na Bahia. Nascido em meio à tradição nordestina – com arte e cultura disseminada pelos familiares–, nunca deixou o apreço pelas obras plásticas (modernas ou da antiguidade). Porém, escolheu o curso de economia, fez mestrado em administração de empresas, pela Universidade da Bahia e pela Michigan State University (EUA).

Em 1955, trabalhando no município de São Félix, ainda no estado da Bahia, conheceu o artista plástico Nicomendes Braga. Ali foi o início da carreira artística, segundo o pioneiro da capital descreveu ao jornal Correio Braziliense, em uma entrevista concedida em 2016. Ao retornar a Salvador, Celso foi transferido para o Rio de Janeiro, onde conheceu outros artistas, como o escultor Bruno Giorgi.

Em 1972, mudou-se para Brasília na função de bancário e chefe do Departamento de Funcionalismo do Banco do Brasil. Não demorou para chegar até a presidência do BRB, onde chefiou na virada da década de 70 para 80.

Foi na capital que o doutor Celso começou a frequentar leilões de arte. “Desde garoto, meu pai conversava sobre belas-artes com ele e eu ficava até tarde escutando. Quando ele abriu a loja, meu pai ajudou a colocar o negócio para funcionar. Foi um verdadeiro professor”, descreveu o empresário da construção civil, Aristo Rodopoulos, 61 anos.

Segundo Rodopoulos, o colecionador era exímio estudioso e muito dedicado. “Ele fazia de tudo para deixar boas obras aqui em Brasília porque ele não queria que as peças fossem para outras cidades. Chegava até a facilitar o pagamento para ajudar a manter as obras na capital federal.”

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Com pouco menos de 20 anos, o colecionador de antiguidades Antonio da Rosa Aversa guarda boas lembranças do seu primeiro negócio com Celso Albano. Ele era o maior nome no Centro-Oeste para entrada de peças com assinatura de variados artistas. Ajudou muito a cultura de Brasília, ensinou muitas pessoas o melhor da arte, da antiguidade. Eu fiz o meu primeiro grande negócio com ele, uma pintura do Rubem Valentim. Ele me ensinou muito, era uma pessoa maravilhosa. Gostava do melhor.”

Segundo Celso ensinou, o critério primordial para escolher uma obra de arte é gostar ou não da peça. Depois, é importante saber o quanto se quer pagar pela obra. Aí entra a definição de escolas e temas abordados pelo artista. O trabalho, como caracterizou o colecionador, é incessante. A pesquisa é contínua e deve ser feita junto a um profissional da área de confiança. “Uma figura muito importante para o mercado brasileiro de arte e antiguidade”, relembra Antonio da Rosa Aversa.

Uma das filhas do colecionador, Railda Albano, destacou a personalidade tranquila, culta e amorosa do pai. “Super educado, gostava muito de arte e economia. Os filhos, netos e bisnetos sempre o tiveram como referência. Uma dedicação exemplar à companheira, com 66 anos de vida conjugal fora de série.”

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