No Distrito Federal, em menos de um mês, três militares se envolveram em graves acidentes ao tentarem exercer a profissão que abraçaram. A última vítima foi o sargento do Corpo de Bombeiros Antônio Tadeu Botelho dos Santos, 46 anos, que foi atropelado ontem enquanto socorria uma vítima de acidente na Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Recentemente, foram dois policiais militares perderam a vida em ocorrências recentes.
As circunstâncias que ocasionaram o acidente, que está sendo investigado pela 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), ainda não estão claras. Entretanto, as suspeitas giram em torno de duas condutoras.
Suspeitas
Uma delas conduzia um Fox prata e a outra, um Porsche Boxter. É o que explica a delegada Tânia Maria de Oliveira: “Não podemos afirmar com certeza quem foi a responsável, pois somente a perícia pode dizer. Porém, os indícios recaem sobre o Fox, que apresenta várias colisões”.
A delegada destaca que a condutora que dirigia o Fox permaneceu no local do acidente, diferentemente da que dirigia o Porsche, que saiu. “A motorista do Fox ficou em estado de choque. Ela permaneceu lá o tempo todo. A outra afirmou que tinha certeza que não havia atropelado ninguém e foi embora”, disse. De acordo com a delegada, ela foi perseguida por uma equipe dos bombeiros, que acionou a Polícia Militar para conduzi-la até a delegacia.
Versões diferentes
As duas suspeitas negam a autoria do atropelamento e trocam acusações. “A motorista do Fox diz que não sabe o aconteceu, que quando viu, o corpo já estava sendo arremessado. Ela acredita que a vítima tenha sido atropelada e jogada em cima do carro dela. Já a do Porsche se mostra segura e afirma que apenas esbarrou em um cone”, explica a delegada.
Nem mesmo as testemunhas souberam indicar a autoria do atropelamento. “Elas disseram que como a iluminação estava deficiente não viram quem atropelou. Apenas viram um Porsche passando”, explica Tânia Maria. De acordo com ela, havia cones interditando duas das três faixas da via.
Álcool pode ser o vilão de novo
A delegada Tânia Maria de Oliveira explica que a autora do crime pode responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor. A pena varia de dois a quatro anos.
Mais uma vez o uso de álcool pode ser responsável pela tragédia. Isso porque a condutora do Fox se submeteu ao teste do bafômetro e estava com 0,29 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões. Ela perdeu a carteira de habilitação, levou sete pontos na carteira e pagará multa administrativa.
Já a condutora do Porsche se recusou a fazer o teste e também foi autuada administrativamente.
Além disso, o condutor do carro acidentado que estava sendo socorrido pelos bombeiros antes do atropelamento também apresentava sinais de embriaguez.
Investigação
A delegada afirmou que solicitou as imagens de câmeras próximas ao local do acidente. Ela ressaltou que não havia marcas de frenagem e testemunhas afirmaram que aparentemente os carros não estavam em alta velocidade.
Em Planaltina
Outro caso que chocou a população foi a morte do cabo da Polícia Militar Hamilton Coelho Ramos, que morreu atropelado por um caminhão no dia 27 de maio, durante um protesto em Planaltina. O PM, que estava trabalhando na segurança da manifestação, morreu no local.
Uma profissão de risco
O Corpo de Bombeiros estava no local para socorrer um motorista que bateu na mureta de proteção da via, na altura de Vicente Pires, e rodou na pista. Segundo a polícia, ele tinha sintomas de embriaguez e foi levado consciente para o Hospital Regional de Taguatinga.
A corporação informou ao Jornal de Brasília que tentou fazer a transferência da vítima para um hospital conveniado. Porém isso não foi possível em função da gravidade do estado do bombeiro.
Tragédia
O Corpo também destaca que fez tudo o que estava ao alcance para minimizar as consequências do trágico acontecimento e lamenta profundamente o ocorrido.
O sobrinho da vítima, Junior Oliveira, enalteceu o amor do tio pelo ofício. “Ele ama a profissão e está perto de se aposentar. Infelizmente ele, que faz tudo para salvar vidas, acaba colocando em risco a sua própria vida”, disse.
Outro caso
Na última quarta-feira, o cabo da Polícia Militar, Osmar Catarina Júnior, foi morto por um colega da corporação ao tentar evitar um assalto que acontecia dentro do coletivo. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
De acordo com a Polícia Civil, todas as informações sobre o episódio estão sendo levantadas e, no prazo de 30 dias, o inquérito deve ser concluído. Esse prazo pode ser prorrogado por mais 30 dias.