Apenas uma reconstituição sobre a dinâmica de como ocorreu o triplo homicídio da 113 Sul poderia ajudar a dissipar dúvidas e divergências que existem nos depoimentos dos três homens que estão presos acusados de participação no crime. Depois de uma acareação ocorrida entre o ex-porteiro Leonardo Campos Alves, 44 anos, seu sobrinho Paulo Cardoso Santana, 23, e o suposto comparsa Francisco Aguiar, 22 anos, ainda sobra uma série de dúvidas quanto a forma como ocorreram as mortes do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, sua mulher, Maria Villela, e a principal empregada do casal, Francisca Nascimento.
Após ficarem frente a frente, Leonardo e Paulo teriam passado a concordar que os assassinatos teriam como mandante a filha das vítimas Adriana Villela. Antes, quando ainda estava preso em Montalvânia (MG), Paulo afirmou, por diversas vezes, que o crime não teve mandante e que a ideia era roubar dinheiro e joias que haviam no apartamento 601/602, onde moravam os Villela. No entanto, Francisco teria mantido a versão de que não entrou no apartamento durante o crime. O mesmo continua sendo sustentando por Leonardo.
Contudo, a perícia feita na cena do crime concluiu que pelo menos duas pessoas participaram das três execuções e que dois tipos de faca foram usados para matar as vítimas. A reconstituição serviria para tirar as dúvidas sobre as pessoas que estiveram no imóvel na noite do crime. O advogado de defesa de Adriana Villela, Rodrigo Alencastro não conseguiu, ainda, ter acesso aos depoimentos prestados por Paulo Cardoso e Francisco Aguiar na Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida).
Ontem, o juiz do Tribunal do Júri, Fábio Francisco Esteves, não apreciou o pedido do Ministério Público para que o caso volte a correr sob segredo de Justiça. O magistrado deverá se pronunciar hoje sobre o inquérito, definindo se correrá em sigilo ou não. O tribunal também não recebeu nenhum tipo de pedido sobre a realização da reconstituição do crime.