Assim como os estudantes vítimas do incidente com o ônibus na última terça-feira chuvosa, outras centenas de alunos necessitam do transporte para ir à escola. Mas nem sempre ele está disponível. E não é por falta dele. Pelo contrário. Denúncia da presidente da Comissão de Educação da Câmara Legislativa, deputada Liliane Roriz (PRTB), aponta que ônibus escolares adquiridos pelo GDF em parceria com o Governo Federal estão parados desde agosto no pátio da Sociedade de Transporte Coletivos de Brasília (TCB), empresa responsável pelo transporte público do DF.
Esses veículos serão destinados a atender crianças que moram distante das escolas, principalmente em área rural. “Daria para levar cerca de 10 mil crianças todos os dias. Os ônibus foram entregues pelo Ministério da Educação para rodarem imediatamente”, afirmou.
Motoristas
De acordo com a Secretaria de Educação, foram entregues, até o momento, 76 veículos, que ainda estariam parados porque estão em planejamento a gestão e a operação da frota, que será administrada pela TCB, em parceria com a pasta, conforme Decreto 34.528. A secretaria informou, ainda, que outras etapas previstas no decreto já estão sendo implementadas e que a expectativa é de colocar a frota em operação nas próximas semanas.
Liliane Roriz diz se preocupar, ainda, com a falta de motoristas habilitados e capacitados. “Em Brasília não tem motorista. É necessário colocar os ônibus nas ruas, mas é fundamental que haja profissionais qualificados para conduzirem o veículo”, diz a deputada. “Minha preocupação não é somente com o transporte sair do pátio, mas de quem vai dirigir. Muitos motoristas não têm licença para transportar crianças”, completa a parlamentar.
Segundo a Secretaria de Educação, quando foi aberto o processo de licitação, entre os requisitos estava a habilitação apropriada dos profissionais e os cursos de formação necessários.
Despreparo
A deputada distrital comentou, também, o caso da menina Geovana, de seis anos, que morreu afogada após o ônibus escolar onde ela estava ter ficado ilhado embaixo do viaduto em Ceilândia, durante as chuvas da última terça-feira. “Foi despreparo do motorista entrar com o veículo cheio de criança em um local inundado”, destaca.
Problema prejudica a educação
Os ônibus parados na garagem da TCB foram adquiridos por meio do programa Caminho da Escola, do GDF em parceria com o Ministério da Educação. O governo local investiu cerca de R$ 12 milhões, e o federal, aproximadamente R$ 10 milhões.
Os ônibus, que atenderão estudantes da rede pública, são adaptados para também transportar alunos portadores de necessidades especiais. Há, ainda, veículos próprios para trafegar em áreas de difícil acesso e em estradas de terra.
De acordo com o Censo da Educação Básica de 2012, no DF são 14,5 mil alunos que moram em áreas rurais e dependem do transporte para chegarem à escola.
Opinião
O pesquisador Antônio Carlos Almeida afirmou que a falta desses ônibus influencia na educação. “Muitas crianças que saem cedo de casa acabam pegando ônibus lotados e ou vão a pé, mesmo morando longe da escola. Assim, já chegam estressadas, cansadas. Isso atrapalha no aprendizado”, destaca.
O recepcionista Alexandre Silva também acha que os veículos parados prejudicam a educação. “O país precisa de educação e é pelas crianças que tudo começa”, diz. Já o atendente comercial Joel Albuquerque destaca a importância de oferecer treinamento para motoristas. “O governo deveria colocar esses ônibus para rodar e se não tiver profissional, tem que treinar pessoas e dar a habilitação”, comenta.