Explicações somente para depois do recesso parlamentar. Convidado pela deputada distrital Celina Leão (PSD) a prestar esclarecimentos na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o então presidente da Comissão de Licitação, Galeno Furtado, enviou atestado médico para justificar a ausência ao debate.
A reunião seria hoje na Casa. Contudo, o estado de saúde do coordenador do certame o impediu de participar. Com o recesso dos distritais, o empresário só deve comparecer à reunião em agosto, quando os servidores retomam suas atividades.
De acordo com o atestado médico, Galeno está com dores na região lombar. Ele foi ao Hospital Municipal de Alexânia (GO) para se consultar. Contudo, procurado pela reportagem do Jornal de Brasília no município, na Alambique Cambeba, empresa do qual é dono, contrariando a Lei, a reportagem foi informada que ele estaria internado em Brasília, em um hospital local. Entretanto, não souberam informar em qual estabelecimento.
Dores
Porém, para Celina Leão, as dores parecem “oportunas”. “É um atestado que não mostra nem qual é a doença que ele tem. É muito ruim, em termos de prestação de esclarecimentos, que ele não se apresente à Comissão agora, à essa altura do campeonato”, avaliou a parlamentar. Os novos ônibus da suspeita licitação do transporte público devem começar a rodar ainda hoje pela cidade. Segundo a Secretária de Transportes, serão 50 veículos da nova frota.
Para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), no entanto, o fato de o contrato começar a ser executado não prejudica as ações do órgão em relação às denúncias de fraude no documento. “O Ministério Público vai tomar as medidas cabíveis oportunamente”, afirmou.
Audiência
Em recente audiência na Câmara para tentar esclarecer as suspeitas de fraude no processo de licitação do transporte público, o secretário de Transportes, José Walter Vazquez Filho, alegou que nada tem de errado Galeno Furtado ser dono da Alambique Cambeba. Na avaliação, por ser celetista, Galeno pode ter comércio.
Porém, no desempenho do papel de presidente da comissão, o coordenador da comissão do certame atua como agente administrativo público. O que, para especialistas, o submete a todas as regras da Lei 8.112, que determina: servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público.