Menu
Brasília

Trânsito: educação deixada de lado

Arquivo Geral

28/06/2013 9h00

Você sabe para onde vai o dinheiro arrecadado por meio de multas de trânsito? O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que  entre os destinos  deste  montante deve estar a educação no trânsito. Mas, na prática, não é bem isso o que acontece. 

 

Prova disso está no relatório de prestação de contas do Departamento de Trânsito (Detran-DF). De janeiro a abril deste ano, dos R$ 111 milhões arrecadados em multas, apenas R$ 256 mil foram aplicados em ações educativas – ou seja, 0,23%.

 

Insegurança

“Não me sinto mais segura na hora de atravessar na faixa de pedestre. Os motoristas não param mais”, desabafou a aposentada Sônia Barros, 60 anos. Ela estava levando a neta à aula quando foi vista pela reportagem tendo dificuldades para atravessar na faixa. De fato, muitos veículos não pararam para a idosa, mesmo com ela sinalizando que queria atravessar.

 

Para o especialista em trânsito Carlos Penna, a explicação para a falta de investimentos em campanhas educativas está na falta de interesse   em melhorar o tráfego da região. “O investimento em educação   não aconteceu porque o dinheiro das multas é não-orçamentário. E, de fato, não há nenhum interesse do departamento em aplicar essa verba nisso.  E educação não é prioridade do governo”, avaliou.

 

Há três anos, o percentual aplicado em campanhas de conscientização  se mantêm abaixo dos 3% do total arrecadado com infrações. “Quase não vejo mais campanhas e, antigamente, a gente via muito. Por exemplo, ninguém mais dá seta, uma coisa que é simples, mas faz diferença”, apontou o fiscal de caixa Juscelino de Souza, 35 anos.

 

Reflexo está nas ruas da capital

Além de aplicar a arrecadação com multas em segurança e educação, o Código de Trânsito Brasileiro determina que, do total obtido, 5% devem ser depositados, mensalmente, no Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset), órgão do Governo Federal. Contudo, no relatório de prestação de contas do Detran  não há esclarecimentos sobre essa verba. Questionado, o departamento não respondeu   o porquê de o documento não dispor dessa informação.
  
“Não vemos investimento nisso. Na verdade, para mim, isso se reflete muito nos próprios pedestres, que se colocam em risco nas faixas, sem sinalizar que vão atravessar. Quando a gente vai, eles estão ali. É um susto”, contou a professora Maria Luzia de Melo, 49 anos.
 
A ponta disso, revelam outros índices do próprio site do Detran, começou em 2008, quando os valores de investimento em educação baixaram. De lá para cá, o repasse da verba para campanhas caiu 68,8%, saindo de R$ 8,2 milhões para R$ 2,5 milhões no ano passado. Em contrapartida, o total arrecadado com multas  aumentou 24,9%. Passando de R$ 88,2 milhões para R$ 110,1 milhões no mesmo período.
 
O baixo investimento, avaliou o especialista na área Luís Miura, se reflete na falta de consciência dos motoristas. Exemplo disso são as faixas de pedestre.  “Houve uma descontinuidade no processo educativo. Fala-se muito no respeito à faixa, quando o respeito é ao pedestre”, ressaltou. Nos anos 1990, foram feitas campanhas de conscientização sobre o objetivo da lei. Ele lembrou, inclusive, da sincronia das ações,   que surtiram efeito.
 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado