Danielle Baeza
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A Delegacia Especial do Meio Ambiente (Dema) vem combatendo veemente uma prática que é considerada cada vez mais comum em Brasília: o tráfico de pássaros. Esses animais, segundo o delegado-chefe José Carlos Medeiros de Brito, são alvo do crime para campeonatos de canto e criação doméstica. Muitos não sobrevivem aos maus-tratos, e quando sobrevivem, podem carregar sequelas para o resto da vida.
“Os que são pegos em flagrante, transportando, comprando ou vendendo estes pássaros sem licença, são punidos com detenção de seis meses a um ano, além de serem multados de acordo com o grau de culpabilidade”, garante o delegado.
O tráfico e porte de animais silvestres é uma atividade considerada ilícita no País. Promover campeonatos de canto de pássaros sem licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pode levar à prisão com base na Lei dos Crimes Ambientais. Segundo dados do Ibama, apenas um quarto dos animais resgatados sobrevivem. O restante morre em decorrência de estresse, transporte inadequado e da falta de alimentação.
Raito, uma arara azul de um ano e três meses, é um dos animais que sofrem com sequelas decorrentes do trato durante o tráfico. A arara, extremamente dócil, está sob os cuidados da equipe de veterinários do Zoológico de Brasília e é a única sobrevivente de sete ovos chocados após serem apreendidos.
Ela nasceu com o bico torno e um desvio na coluna por causa da manipulação do ovo junto ao corpo do traficante. Raito está usando um aparelho que, segundo o veterinário Ricardo Oliveira Alves, tem o objetivo de ajudar o bico a voltar para o local correto, e precisa ser alimentado pelos tratadores, pois não consegue comer sozinho.
“Apesar dele já conseguir pegar a fruta, ainda não se alimenta sozinho. O ovo dessas aves possui uma estrutura específica para que o animal fique parado dentro dele. E o Raito foi o mais fortinho deles, os outros morreram. Apenas ele e uma corujinha – que o traficante acreditava ser um ovo de arara azul – também, sobreviveu”, explica o veterinário.
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