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Brasília

Tráfico de drogas: A qualquer hora em todo o DF

Arquivo Geral

16/10/2010 19h08

Marina Marquez
marina.marquez@jornaldebrasilia.com.br

 

A menos de 200 metros do 2º Batalhão da Polícia Militar (2º BPM) de Taguatinga o tráfico rola solto em plena luz do dia. Entre uma ronda e outra de agentes da PM, dois traficantes conversam, demarcam o espaço e vendem pedras de crack para mulheres, idosos e moradores de rua. Eles não são os únicos. Em todo o Distrito Federal a cena se repete. O tráfico de drogas foi um dos únicos crimes que aumentou no comparativo da Polícia Civil entre o primeiro semestre de 2009 e 2010. Nos seis primeiros meses deste ano foram 690 ocorrências registradas, 7,3% a mais que no mesmo período do ano passado.

 

O consumo de crack é um dos maiores responsáveis pelo aumento de apreensões e ocorrências de tráfico este ano. Apesar de a maconha ainda ser a droga mais consumida e comercializada, o crack tem aumentado o lucro dos traficantes, que têm optado por essa droga, em todo o DF. “A ideia que se tem de que o crack é barato é uma ilusão. A pedra é barata, mas o usuário é extremamente dependente, não se contentando com apenas uma pedra. O problema do tráfico é exatamente esse: é um negócio extremamente lucrativo para o traficante, que além de tudo, fica pouco tempo preso. Em seis anos que tenho como coordenador da Cord, poucos foram os presos que, libertados, não voltaram a traficar”, explica o delegado da Coordenação de Repressão as Drogas (Cord), João Emílio Oliveira.

 

Segundo a legislação brasileira, uma pessoa condenada por tráfico de drogas pode pegar entre cinco e 15 anos de prisão. No entanto, se for primária, tiver bons antecedentes e não colaborar ou fizer parte de organização criminosa, ela pode receber benefícios de redução de pena, entre um sexto e dois terços do total. “Se é um negócio atrativo, a demanda não falta e não há uma legislação que puna o traficante de verdade, ele não tem porque parar. Precisamos rever os benefícios concedidos aos traficantes para desestimular o crime”, afirma João Emílio.

 

 

Leia mais na edição deste domingo (17) do Jornal de Brasília

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