Leandro Cipriano
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Para os que trabalham até de madrugada e dependem do transporte público, contar com os ônibus que circulam no “corujão” – durante a madrugada – é mais do que preciso, se tornando uma necessidade diária. No entanto, este não é um serviço sempre disponível à população. Poucos coletivos para atender a demanda, e em cada vez menos horários, são a realidade dos que precisam usar com frequência o transporte público neste horário. E no período de férias, a situação costuma ficar ainda pior, porque as empresas retiram dos horários noturnos os ônibus que costumavam atender os usuários, e sem autorização prévia.
Foi o que aconteceu com as linhas 322 e 310, com destino aos setores O e M Norte. Usuários reclamam que os ônibus que saíam pouco depois da meia-noite da Rodoviária do Plano Piloto não passam mais no local. O resultado: para quem trabalham até o final da noite e precisa de transporte, a única solução é esperar mais de uma hora no terminal pelos próximos coletivos, durante o frio da madrugada e as ocasionais quedas de energia no terminal da capital.
É o caso do maître Marcelo Ferreira, de 34 anos. Ao sair do restaurante em que trabalha, sempre às 23h50, contava com o horário da linha 322 para chegar em casa, ao menos, até 1h15. Segundo ele, uma média de 25 pessoas a usava todos os dias no horário retirado. Agora, sem o coletivo que costumava pegar, chega todo dia depois das 2h.
“Cortam o ônibus sem avisar ninguém, e ficamos prejudicados. Isso está assim desde a última segunda-feira, pelo que me lembro. Agora sem ele, a dificuldade é redobrada. Até já reclamei no DFTrans (Transporte Urbano do Distrito Federal), mas nunca me deram uma resposta satisfatória”, apontou.
Assim como Marcelo, a atendente de telemarketing Paula Cristina Sousa, 31 anos, também foi prejudicada pela súbita retirada dos ônibus do horário padrão. Como os coletivos fazem parte da reestruturação do transporte público para integrar as linhas de ônibus que fazem o trajeto Plano Piloto/Taguatinga, em vez de apenas um ônibus, Paula e Marcelo precisam pegar dois: um saindo da Rodoviária do Plano Piloto para o terminal de Taguatinga Norte, e outro até o destino final deles, no M Norte. Agora, a espera agora é redobrada.
“Temos que ficar uma hora na Rodoviária do Plano, e depois mais uns 20 minutos em Taguatinga, sozinhos e no frio. Quase não tem ônibus de madrugada, e os poucos que têm ainda tiram. É um desrespeito aos trabalhadores. Já tive que andar de madrugada entre as quadras da M Norte até em casa por falta de ônibus em alguns sábados”, reclamou Paula.
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