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Trabalhador rural se reinventa após perder as mãos em acidente elétrico

Logo após, mesmo ainda sem rumo certo, resolveu se reinventar e recomeçar. Recomeço que se estendeu para toda a família

Foto: Emater

Foi ao levar um choque de alta tensão, em 2020, e perder as duas mãos que o trabalhador rural José Lisboa Guedes, de 49 anos, precisou se reinventar para sobreviver e encontrou na marcenaria a oportunidade para começar uma nova vida.

José foi tratado no Hospital Sarah Kubitscheck e recebeu duas próteses. Logo após, mesmo ainda sem rumo certo, resolveu se reinventar e recomeçar. Recomeço que se estendeu para toda a família. A jornada de superação teve o auxílio de amigos e do Programa de Empreendedorismo e Sucessão Rural Filhos deste Solo, da Emater-DF.

Após o choque, foram duas paradas cardíacas, quatro sessões de hemodiálise, várias cirurgias e a perda das mãos. Ainda na UTI do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde ficou por 42 dias, o trabalhador rural dizia a todos que se emocionavam com a sua nova condição: “Perdi minhas mãos e não minha vida”. Ele terminou a recuperação em casa, entrou na lista de tratamento do Sarah e, após se adaptar ao uso das mãos mecânicas, começou uma nova vida.

Certo de que não poderia ficar parado, convidou o irmão para ajudá-lo a fabricar mesas, cadeiras e estantes de pallets de eucalipto. As vendas foram crescendo e a fábrica de móveis formalizada. Com isso, a esposa, as filhas e o genro ganharam uma atividade na empresa, que recebeu o nome de In Pallets.

Zezinho, como é chamado, é casado com a professora Ângela Moreira dos Santos. O casal tem três filhos, Stéfanny (22), Sofia (13) e Heitor Miguel (4), todos Moreira Guedes. No começo, a família apenas o auxiliava na adaptação com a nova realidade e a lidar com a marcenaria usando as mãos mecânicas.

“Se eu puder definir minha história numa palavra, usaria a superação. Nunca baixei minha cabeça ou pensei em desistir de mim ou da minha vida. Às vezes, a gente fica nervoso porque quer fazer alguma coisa e não consegue ou dá trabalho para fazer. Daí paro, penso, dou uma volta, esfrio a cabeça e, na volta, falo que vou conseguir e faço. Essa força? Eu tiro da minha família, dos meus amigos e de Deus”, afirma Zezinho.

A família sempre foi atendida pelo escritório da Emater-DF na Taquara. Após o acidente, a assessora Jane Batista de Oliveira, da Emater-DF, sensibilizada e querendo ajudar de alguma forma, convidou a filha Stéfanny para participar do curso Filhos deste Solo, na turma realizada em parceria com o Instituto Federal de Brasília. Com a oportunidade, a filha de Zezinho se viu capacitada a administrar a empresa em um nível profissionalizado, o que empolgou toda a família.

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“O curso foi um divisor na minha vida. Aprendi tudo, inclusive como fazer o planejamento, o que a gente não fazia antes. Aprendi a fazer um plano de negócio, planilha de orçamento, marketing e como divulgar a empresa nas redes sociais e agregar valor aos produtos que a gente faz. Meu sonho é levar a história do meu pai e os nossos móveis para fora da Taquara, para Planaltina, para o resto do DF e para todo o Brasil. Agora tenho conhecimento para isso”, disse Stéfanny, animada com o novo aprendizado.

Novas oportunidades

Desde o acidente, o acompanhamento dos extensionistas da Emater-DF que atuam na Taquara se intensificaram. Os extensionistas perceberam a necessidade da família de Zezinho ser estimulada a aumentar a produção e encontrar novos canais de comercialização. O Programa Filhos deste Solo, que visa qualificar jovens rurais entre 19 e 26 anos em empreendedorismo rural, foi a oportunidade encontrada para esse ponta pé.

“Eu já conhecia o trabalho de marcenaria que a família do Zezinho estava realizando. Percebemos a necessidade da filha aprender a empreender e consideramos a inclusão dela no programa Filhos deste Solo. Com isso, começamos também a planejar a participação da In Pallets nas feiras rurais que são coordenadas pela Emater-DF”, falou.

A In Pallets foi escolhida para representar a região na Feira Rural do Espaço da Emater-DF na AgroBrasília, que aconteceu de 17 a 21 de maio. A partir dessa experiência, novas oportunidades de participação nas feiras rurais coordenadas pela empresa devem ser viabilizadas. Tudo isso acendeu uma chama de esperança na família para avançarem os limites da Taquara.

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