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Brasília

Torcedores desconfiados

Arquivo Geral

27/05/2013 8h50

O mistério na transação que envolve a renda do jogo foi assunto entre os torcedores que ontem foram ao estádio Mané Garrincha, na partida entre Santos e Flamengo. “É muito dinheiro para o GDF abrir mão, para o Santos abrir mão. Tem mutreta aí”, disse o flamenguista Ailton Lemos, 33 anos. 

 

“Disseram que o estádio ia trazer dinheiro para o povo de Brasília. Mas o GDF não passou no primeiro teste. Construiu um estádio de R$ 1,6 bilhão para não arrecadar? Se era para ser um teste, por que não cobrar R$ 20?”, provocou o amigo Estevão Mendes, 37.

 

“O preço do ingresso poderia ser menor mesmo. Poderia ser um espetáculo mais acessível. O futebol é um esporte de massa. E não é o preço que seleciona as pessoas. É a cultura e a educação”, afirmou o bancário Charles Franklin, 44 anos. Torcedores compararam os valores cobrados no DF com outros estados. “Podia ser um pouco menor por aqui. Paguei R$ 120 para um Flamengo e Corinthians em São Paulo”, comentou o professor Edilson Caldeira de Farias, 33 anos.

 

O vendedor Rodrigo Amaral, 38 anos, lembrou que se os preços estivessem mais populares o estádio poderia estar lotado ontem. Era possível ver diversas cadeiras vazias durante o jogo. O engenheiro civil Laurence Peters viajou de Florianópolis (SC) com os filhos para ver o jogo. “Está muito caro. O estádio é bonito. Mas ninguém consegue ficar pagando isso toda semana”, destacou.

 

Versão oficial

Em sua defesa, a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) informou que o valor pago de R$ 4 mil é uma taxa fixada por decreto e que não se pode falar em aluguel da arena porque, antes de uma partida oficial do Brasileiro, o evento é um teste para a Copa das Confederações. “Em vez de gastar para realizar um jogo, como fez o Maracanã, com a partida entre amigos de Bebeto e Ronaldo, o GDF optou por um jogo com desafios reais de operação e sem custo aos cofres públicos”, informou, em nota, a coordenadoria. O governo acrescentou que não deixou de arrecadar, pois, na verdade, deixou de gastar com a realização de um evento que deveria ocorrer obrigatoriamente. “Futuramente, a arena será alugada para eventos multiculturais e terá outros valores para locação”, completou.

 

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