Um garoto de 11 anos, atingido com oito tiros durante um tiroteio entre policiais militares e dois homens suspeitos de envolvimento com a criminalidade, continua internado, em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. Ele foi submetido a uma cirurgia para retirada de projéteis do corpo e corre o risco de ter um dos pés amputado.
Identificado como G.G.S, o menino ficou ferido depois de ser atingido dentro de casa, no Conjunto D da QNM 7, em Ceilândia Sul. O caso ocorreu às 9h30 de sábado. As marcas da violência ficaram estampadas nos portões da cada do garoto e de um vizinho, perfurados com nove tiros. “Ainda estamos muito assustados”, afirma uma moradora.
Um tio do menino, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que o sobrinho foi atingido nas pernas, no tórax e de raspão na cabeça. “Foi truculência porque não havia necessidade da Polícia Militar invadir a casa atirando”, disse.
Confusão
O tiroteio teria começado quando PMs, em uma carro descaracterizado, passavam em frente à casa e suspeitaram de dois homens que ouviam música em um carro de som. Um deles era C.M.S.F., 35 anos, pai da vítima. O outro era A.M.S., 33 anos, morador da região. O pai foi preso e negou estar armado. O colega dele, que tem nove passagens pela polícia, fugiu.
Segundo a Assessoria de Comunicação da PM, “os infratores perceberam que os policiais eram do Serviço de Inteligência e tiveram intenção de reação”, dando origem ao tiroteio. Os suspeitos teriam atirado contra os PMs, que revidaram. De acordo com o tio da vítima, o garoto ainda será submetido a mais três cirurgias.
De acordo com policiais militares, C.M.S.F estaria armado com um revólver calibre 38, enquanto A.M.S portaria uma pistola ponto 40, de uso exclusivo da polícia. Preso em cima do telhado da casa de um vizinho, C.M. negou que estivesse armado. Uma pistola supostamente usada por A.M. foi encontrada pela polícia, por volta das 19h30, na casa de uma vizinha.
Mãe de dois filhos pequenos, a mulher conta que havia levado as crianças para vacinar quando teve a casa invadida pelo suspeito. O homem pulou o muro e entrou no imóvel. Ele pegou uma manta pequena, enrolou a arma, colocou dentro de uma caixa de laptop e escondeu atrás da estante. A moradora só soube da confusão quando voltou do trabalho. “Achei estranho porque telefonava para minha mãe e ela não atendia. Quando cheguei, encontrei a casa toda suja de sangue. Meus filhos estão muito assustados”, disse.
Além da pistola, a PM encontrou também um Palio branco, utilizado na fuga. O carro foi levado para a 15ª DP (Ceilândia Centro), responsável pela investigação. O veículo estaria sujo de sangue, mas foi lavado. A perícia vai apontar se existe impressão digital do homem foragido.
O delegado chefe, Yury Fernandes, disse que A.M. tem nove passagens pela polícia por crimes de homicídio, porte ilegal de arma, uso de documentos falso, tráfico de droga e tentativa do homicídio, mas estava em regime semiaberto. Yury vai pedir a prisão preventiva do suspeito. Tanto o pai do garoto quando o colega vão responder por tentativa de homicídio. Podem ser condenados a uma pena de 20 anos.