Sheila Oliveira
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Quem mora em apartamento ou possui sala comercial em prédio pode preparar o bolso porque os gastos com condomínio vão aumentar. O reajuste médio da taxa previsto para este ano é de 10%, segundo estimativa do Sindicato dos Condomínios Residenciais e Comerciais do DF (Sindicondomínio-DF). O aumento ficará acima da inflação acumulada em 2011, de 6,5%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A justificativa para o reajuste da taxa de condomínio é o aumento de 11,2% na tarifa de água no DF, cujo consumo mínimo passou de R$ 17 para R$ 18,90, além da negociação da data-base dos funcionários que atuam na área de limpeza e segurança dos condomínios brasilienses. “O condomínio que ultrapassar o reajuste de 10% deverá rever as despesas financeiras porque alguma coisa está fora do normal”, observa o presidente do Sindicondomínio, José Geraldo Dias Pimentel.
Segundo ele, os gastos excessivos prejudicam a gestão saudável dos condomínios e impossibilitam que o prédio possa ter um fundo reserva para eventuais danos estruturais do prédio ou até mesmo reforma. “O que significa que além de reajustar o valor da taxa de condomínio a ser paga pelo morador, a gestão do edifício deve ser preocupar também com o fundo reserva”, diz Pimentel.
Inadimplência
Com a tarefa de fazer um caixa com renda extra para o edifício e negociar anualmente o reajuste da taxa de condomínio, os síndicos têm um desafio constante: diminuir o crescente índice de inadimplência.
De acordo com levantamento do Sindicondomínio-DF, o número de ocupantes que atrasam o pagamento por mais de 30 dias já é superior a 12% do total de moradores. “Um condomínio que apresenta um índice de inadimplentes maior que 10% pode ter o orçamento e reajuste da taxa comprometidos”, destaca o presidente da entidade.
Para conter o número de pessoas que não pagam a taxa condominial em dia, alguns síndicos já usam do artifício de desconto por pontualidade. “Quem paga a taxa de condomínio até o dia 5 de cada mês consegue um bom desconto. Com essa política, o nosso edifício registra menos de 3% de inadimplência”, revela a síndica Ozilene Macedo.
Segundo ela, outras medidas de contenção de gastos são realizadas semanalmente. “Verificamos se não há vazamentos em alguma estrutura do prédio e incentivamos os moradores a não utilizar água de forma discriminada, pois o hidrômetro não é individual”, conta Ozilene que atua há mais de dois anos como gestora do condomínio Edifício Central Park, localizado na quadra 905 Sul.
Lorena Miranda, representante de uma administradora de condomínios, a Ebac, explica que o gasto com a tarifa de água e pagamento de funcionários representam 60% das despesas de um condomínio. “Por isso a importância de campanhas de consumo consciente, não só entre os moradores, mas também com os funcionários que trabalham no edifício”, afirma.
Ozilene comemora as campanhas que tem feito. “No ano passado, nosso prédio conseguiu um bônus de desconto da Caesb por economizar no uso da água”, revela. “Nos últimos anos, os moradores passaram a dar mais atenção à figura do síndico. A gestão responsável pode proporcionar economia para todos”, garante José Geraldo Dias Pimentel. De acordo com ele, a entrada de empresas terceirizadas nesse mercado contribui para aumentar os cuidados com a administração dos condomínios.