A poesia vem de dentro, a inspiração dá as caras sem ser chamada, sem hora, lugar ou idade. Essa é a verdade de Gabriel Lago, um jovem de 16 anos que escreve crônicas, poesias e romances desde os oito anos. A família começou a perceber o interesse do menino em literatura quando ele, com quatro anos, pegava as revistas pela casa para ler. Hoje, ele está prestes a terminar o Ensino Médio e caminhar em busca de uma carreira, que pode ser na área de Ciências Sociais ou Políticas. Mas de uma coisa Gabriel não tem dúvida: a literatura sempre fará parte de sua vida.
Diferentemente da maioria das crianças que se inspiram em alguém da família, Gabriel conta que foi o primeiro a realmente gostar e se interessar pela literatura. “A minha mãe me levava todos os dias para a banca de revista para eu escolher alguma coisa para ler”, lembra. Para ele, fica claro que o dom e o talento foi inato, e talvez até um presente divino: “Comecei a me interessar por força maior. Gostava da literatura e não aguentava só ler, tive que começar a escrever”.
No começo, Gabriel se interessava por livros de aventura. Ele procurava se espelhar no estilo e escrevia o que gostaria de ler. “Me inspirava nos livros de mistério e arriscava um texto ou outro. Não tinha muita confiança no que escrevia, achava que não chegava aos pés dos escritores que lia. No começo, eu escrevia para eu mesmo ler”, confessa.
Apoio na escola
Aos poucos ele aperfeiçou as obras literárias e começou a mostrar para os amigos, a família e, finalmente, para a professora Bruna, grande apoiadora do jovem escritor. Desde que Gabriel entrou no Marista, próximo de casa, a professora de literatura acompanhou o crescimento dele como aluno e talentoso autor. “Comecei a mostrar os meus textos e ela gostou. Disse que estou no caminho certo. Ela é minha referência intelectual há três anos”, afirma.
Os amigos não são somente os primeiros leitores e fãs de Gabriel, mas servem também como inspiração para personagens e histórias que brotam na cabeça do jovem, sem aviso. “Às vezes, estou sentado ouvindo música, lendo ou até na cama para dormir e vem uma frase na minha cabeça. Ela vai se juntando a outra, eu sento para escrever e vai chegando o texto pronto”, relata.
Gabriel, que também toca violão, pensa em compor músicas. Tem ainda um livro em mente, que irá abordar um assunto bem recente: as manifestações que vêm acontecendo no Brasil, como a Marcha do Vinagre, no Eixo Monumental, da qual ele participou.
Gabriel está sempre atento às noticias. De acordo com a mãe, Eliane Lago, ele chega da escola todos os dias e vai direto para o computador. “Ele abre várias páginas na internet para saber o que está acontecendo no mundo. Aí sim, ele começa a escrever”, destaca.
Com apenas dez anos, pegava livros de filosofia para ler. Depois, passou a ler livros de Carlos Drummond, Vinícius de Morais e Machado de Assis e encontrou um novo caminho, passando a escrever poesia. Foi nessa fase que escreveu uma crônica que conta a vida de um homem que teve uma vida melancólica pelo excesso de paixões e falta de amor (veja no destaque acima).
Gabriel é o irmão mais velho de duas meninas, uma de oito e outra de nove, e está sendo uma bela inspiração para as duas. Para a mãe, Eliane Lago, ele é uma graça de Deus muito grande, talentoso e carinhoso com a família.