A batalha para ser contemplado com um imóvel pelo programa Morar Bem, da Secretaria de Habitação (Sedhab), vai além da burocracia e do tempo de espera. Em casos de erro, a solução para o problema fica apenas na promessa. Foi o que aconteceu com o porteiro Amilton da Silva Aguiar, 58 anos. Uma falha no cálculo de sua renda torna o contrato firmado com a Sedhab impossível de ser honrado.
O Jornal de Brasília noticiou o impasse em 17 de fevereiro último. Deficiente físico e auditivo, o porteiro, que recebe R$ 2,9 mil mensais, teria de financiar R$ 135 mil, valor considerado por ele impossível de ser pago. Amilton mora de aluguel no Recanto das Emas e é pai de três filhos.
No início do ano, ele foi informado de que na renda bruta estavam inseridos o plano de saúde e o auxílio creche do filho de cinco anos, que tem deficiência – essa soma contraria as regras do programa.
Na época da reportagem, a Codhab disse que fez uma revisão do caso e teria garantido a exclusão do plano de saúde. Com isso, teria havido uma redução do valor do financiamento, passando para R$ 85 mil. A companhia explicou, na época, que o auxílio creche, por se tratar de um benefício temporário, estaria incluso no valor da renda.
Mas sete meses se passaram e até então nem sinal do que foi prometido. Pelo contrário, Amilton ainda corre atrás da redução do financiamento. No último dia 10, o porteiro procurou a Codhab. Chegando lá, se deparou com o mesmo problema: o financiamento de R$ 135 mil.
“Isso é uma tremenda falta de respeito. Esse valor é para imóveis em Samambaia e Gama, mas a Codhab já tinha entrado em contato comigo e informado que o meu espelho de moradia já estava para concorrer a uma das casas do Recanto das Emas e Riacho Fundo II, locais com casas no valor de R$ 85 mil”, relata.
Natural de Unaí, cidade do estado de Minas Gerais, Amilton da Silva Aguiar mora de aluguel desde que chegou a Brasília, há mais de 42 anos. Ele afirma que o salário, por conta das despesas da casa – inclusive o tratamento do filho deficiente –, não é suficiente para custear um financiamento de R$ 150 mil. “Fizeram-me acreditar em uma coisa que não se concretizou como verdade, me enganaram e a decepção é muito grande. Uma casa própria em Samambaia eu posso desistir de ter, porque não dou conta de pagar. O que as minhas condições ainda permitiriam seria pagar um financiamento de R$ 85 mil como prometido”, afirma.