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Brasília

Solução de impasse fica só na promessa

Arquivo Geral

18/09/2013 7h00

A batalha para ser contemplado com um imóvel pelo programa Morar Bem, da Secretaria de Habitação  (Sedhab), vai além da burocracia e do tempo de espera. Em casos de erro, a solução para o problema fica apenas na promessa. Foi o que aconteceu com o porteiro Amilton da Silva Aguiar, 58 anos. Uma falha no cálculo de sua renda torna o contrato firmado com a Sedhab  impossível de ser honrado.

 

O Jornal de Brasília noticiou o impasse em 17 de fevereiro último. Deficiente físico e auditivo, o porteiro, que recebe   R$ 2,9 mil mensais, teria de  financiar R$ 135 mil, valor considerado por ele impossível de ser pago. Amilton mora de aluguel no Recanto das Emas e é pai de três filhos.  

 

 No início do ano, ele  foi informado de que na renda bruta   estavam inseridos o plano de saúde e o auxílio creche do filho   de cinco anos, que tem deficiência – essa soma  contraria as regras do programa. 

 

 Na época da reportagem, a Codhab disse que fez uma revisão do caso e teria garantido a exclusão do plano de saúde. Com isso, teria havido uma redução do valor do financiamento, passando para R$ 85 mil. A companhia explicou, na época, que o auxílio creche, por se tratar de um benefício temporário, estaria incluso no valor da renda.

 

 Mas sete meses se passaram e até então nem sinal do que foi prometido. Pelo contrário, Amilton ainda corre atrás da redução do financiamento. No último dia 10, o porteiro procurou a Codhab. Chegando lá,   se deparou com o mesmo problema: o financiamento de R$ 135 mil.

 

“Isso é uma tremenda falta de respeito. Esse valor é para imóveis em Samambaia e Gama, mas a Codhab já tinha entrado em contato comigo e informado que o meu espelho de moradia já estava para concorrer a uma das casas do Recanto das Emas e Riacho Fundo II, locais com casas no valor de R$ 85 mil”, relata.

 
“Acreditei em algo que não se concretizou”


Natural de Unaí, cidade do estado de Minas Gerais, Amilton da Silva Aguiar mora de aluguel desde que chegou a Brasília, há mais de 42 anos. Ele afirma que o salário, por conta das despesas da casa – inclusive o tratamento do filho deficiente –, não é suficiente para custear um financiamento de R$ 150 mil. “Fizeram-me acreditar em uma coisa que não se concretizou como verdade, me enganaram e a decepção é muito grande. Uma casa própria em Samambaia eu posso desistir de ter, porque não dou conta de pagar. O que as minhas condições ainda permitiriam seria pagar um financiamento de R$ 85 mil como prometido”, afirma.
 
 
Deficiências

 
Amilton conta que, depois de ter assinado documentação para concorrer às casas do Recanto das Emas, Riacho Fundo II e 5ª Etapa, achou que as coisas estariam resolvidas. “Acreditei nisso e hoje me deparo com a falta de respeito até mesmo com pessoas que são deficientes, que é o meu caso”, aponta.
O porteiro é deficiente auditivo do lado direito e tem 40% de audição no esquerdo, fazendo com que ele precise usar aparelho. Além disso, ele tem mobilidade reduzida e usa bengala desde que operou do nervo de safena e femoral.
 
 
Versão Oficial

 
O Jornal de Brasília procurou as secretarias de Habitação e de Comunicação do GDF, mas nenhum dos cinco questionamentos foi esclarecido. Entre as indagações estava o motivo pelo qual a Codhab não teria cumprido a promessa do financiamento do imóvel no valor de R$ 85 mil após ter reavaliado o caso. Também foi perguntado qual seria a atitude do governo para solucionar o impasse e resolver o problema.  Além disso, a reportagem perguntou se, no cadastro, o financiamento do imóvel permanece em R$ 135 mil ou se foi alterado. A Secretaria de Comunicação apenas informou que foi feita a correção da renda no cadastro de Amilton para R$ 2.969, conforme solicitação feita por  requerimento. O GDF disse, ainda, que a manifestação de interesse é do Riacho Fundo II.
 

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