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Brasília

Sob pressão, distritais recuam e desistem de obstruir votação

Arquivo Geral

13/04/2017 7h00

Atualizada 12/04/2017 22h22

Professor Reginaldo Veras (PDT) / Foto: Myke Sena

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Nadaram, nadaram, mas quem chegou à praia foi o governador Rodrigo Rollemberg. Depois de toda a obstrução, os deputados recuaram e aprovaram o projeto de lei que abre crédito adicional ao Orçamento do DF no valor de R$ 285 milhões. Foram 15 os deputados favoráveis e dois contrários. Os demais ou faltaram ou se retiraram do Plenário. Quatro deputados do bloco Sustentabilidade e Trabalho foram determinantes para garantir a vitória do governador na Câmara Legislativa.

O recuo veio depois de o governador exonerar indicados pelo deputado Cláudio Abrantes (Rede), que encampou a defesa da Polícia Civil do DF. Os deputados acordaram obstruir a pauta do Executivo até que o Palácio do Buriti apresentasse uma proposta à categoria, que reivindica equiparação salarial com a Polícia Federal do DF. E Abrantes, que é da corporação, foi um dos que insistiram no posicionamento. Mas acabou liberando os quatro deputados do bloco do qual é líder – Sustentabilidade e Trabalho – para votar com o governo. “Não faço política por cargos”, disse, no Plenário da Casa.

Reginaldo Veras (PDT), Joe Valle (PDT), Israel Batista (PV) e Chico Leite (Rede) foram determinantes para que a proposta do governo fosse aprovada. “A obstrução se fragilizou. E, por mim, não continua”, dispara Veras, ao justificar o voto. “Não aceitei obstrução nem pra defender minha categoria”, cita ele, que também é professor da rede pública.

No Palácio do Buriti, ficou claro o recado enviado à Casa, com a exoneração dos cargos de Cláudio Abrantes. Conforme a assessoria de comunicação do Buriti, “o governo espera que a base aliada trabalhe em sintonia com as prioridades do Executivo”.

O crédito aprovado ontem será divididos entre várias pastas, conforme a Secretaria de Planejamento. Entre os programas que aguardam os recursos, estão: obras de infraestrutura comandadas pela Secretaria de Infraestrutura; composição do Fundo de Desenvolvimento do Distrito Federal (Fundefe); recomposição da reserva de contingência, como previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal e imposto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2017; manutenção de frota e bens imóveis, a cargo da Secretaria de Planejamento; recursos para equilíbrio financeiro do Sistema de Transporte Coletivo do DF; manutenção de serviços administrativos no Serviço de Limpeza Urbana (SLU), na Secretaria de Desenvolvimento Social e na própria Polícia Civil; repasses para Secretaria de Mobilidade, Secretaria de Esporte, Fundo de Saúde da Polícia Militar e Polícia Civil.

Rusga interna amarga o PT

Com a negativa do deputado Wasny de Roure de seguir o acordado pelo líder do PT, Ricardo Vale, a bancada divulgou nota esclarecendo a postura do partido na obstrução à pauta. Conforme o texto, assinado por Vale, os deputados do partido não são “representantes de apenas uma categoria”, mas de todas.

Wasny é o autor da emenda ao orçamento que garante os recursos para atender à demanda da Polícia Civil do DF. “Temos claro que não é nosso papel substituir os trabalhadores nas suas reivindicações e nas suas lutas, por mais legítimas que sejam. A luta dos trabalhadoras não pode ser terceirizada para os deputados distritais. Não somos nós que temos de fazer greve para que o governo atenda as reivindicações dos servidores”, diz o texto publicado pela bancada.

Ao Jornal de Brasília, Wasny disse que não sabia que tipo de relação Ricardo Vale construiu com o governo, mas que não se desmoralizaria “diante de qualquer negociação”.

Ponto de vista

Enquanto o governo mandou um aviso à Câmara Legislativa de que cobraria fidelidade dos aliados, com as exonerações, o deputado Claúdio Abrantes dá sinais de que pode deixar a base do governador Rollemberg. “Tenho mais sete (cargos) lá, se quiser exonerar… Não vou abaixar a cabeça”, disse, ontem, no plenário. No Palácio do Buriti, está claro que o chefe do Executivo se cansou de investir e não ter retorno.

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